Indeterministas,
graças a Deus
Fundamentos do Discurso Indeterminista
1. “Apeíron”,
o Princípio da Indeterminação
No séc.VI a.C. da Antiguidade Grega, um filósofo pré-socrático chamado Anaximandro da Escola de Mileto afirmou e defendeu a tese de que a ARKÉ, o princípio da vida e de tudo e de todos, era o ÁPEIRON, um elemento da natureza de configuração indefinida e realidade indeterminada, o responsável pela origem dos seres e das coisas no universo, gerador da realidade cotidiana, das vivências humanas e das experiências naturais e culturais, sociais e ambientais, políticas e econômicas praticadas pelos homens e pelas mulheres de seu tempo e momento histórico.
Tal entendimento produziu uma certa PAIDÉIA entre os gregos, que então tinham atitudes, idéias e valores comuns e se comportavam de acordo com essa teoria filosófica indeterminista que apologeticamente Anaximandro sustentava, fazendo muitos adeptos e seguidores de tal modo que diversos grupos de pessoas, assumindo a sua proposta idealista, transformavam suas vidas em “ÁPEIRON”, razão de suas ações e paixões e fonte de seus desejos, anseios e necessidades.
Aos poucos, cresceram os indivíduos simpatizantes com a idéia de Anaximandro, que se propagou pelo mundo inteiro até os dias atuais.
Hoje, o “ÁPEIRON” de Anaximandro deu origem à corrente indeterminista da história, a qual tem influenciado diferentes comportamentos políticos e sociais, culturais e econômicos em todo o Globo Terrestre.
Assim o Indeterminismo é uma ideologia hoje acompanhada por teorias como o niilismo, o ceticismo e o relativismo, assim como o ateísmo e o individualismo, construindo ora realidades tipicamente transitórias, inconstantes, céticas, relativas, indefinidas, instáveis, provisórias e indeterminadas capazes de modificar as consciências de algumas personalidades, transformar o pensamento público e popular e metamorfosear mentalidades diferentes e culturas novas e tradicionais.
Pensar indeterministicamente significa não possuir regras de conduta, não seguir dogmas estabelecidos nem assumir padrões absolutos ou ideais estáveis e constantes.
O Indeterminista quer ser livre, e faz dessa liberdade de alternativas e possibilidades a sua verdadeira felicidade.
2. O Princípio da Indeterminação
O Fluxo das coisas indefiníveis e o
complexo dos seres indetermináveis
Ideologias tais como o relativismo, o ceticismo, o niilismo, o indeterminismo, o individualismo e o ateísmo contribuem efetivamente para entender o universo da indeterminação, visto que influenciam com seus discursos carregados de matéria aberrante para a sua propagação entre os meios sociais, políticos e econômicos do mundo inteiro.
De fato, o mundo da indeterminação envolve conceitos aparentemente alienantes, mas que identificam uma filosofia de vida própria assumida publicamente por seus adeptos e seguidores espalhados por todo o globo terrestre.
Assim, o nada e o vazio niilistas; a relativização dos seres e das coisas, ignorando idéias absolutas, de cunho relativista; a dúvida e a incerteza que caracterizam as definições ceticistas; as indefinições dos conceitos, das teorias e das práticas próprias do indeterminismo; o egoísmo de indivíduos e grupos, com seus momentos partidários, excludentes e divergentes, que identificam o individualismo; e a ausência de Deus, substituído por símbolos, ídolos, figuras e objetos, que possam garantir segurança em suas vidas, defendida pelo ateísmo – eis, com efeito, o império das coisas indefiníveis e dos seres indetermináveis, que, atualmente, tem derrubado teorias da estabilidade, modelos de autoridade competente, quadros permanentes de culturas e mentalidades aparentemente seguras e inabaláveis, situações de ocorrências constantes, com seus momentos até aqui bastante definidos e com suas circunstâncias até agora muito bem comportadas.
Verdadeiramente, o princípio da indeterminação aqui e agora no meio de nós está desenhando uma nova história da humanidade, uma nova visão da realidade, uma nova interpretação dos seres e das coisas, um novo olhar sobre as sociedades humanas, um novo modo de observar os fatos cotidianos e os acontecimentos do dia a dia.
Deste modo, a partir do conceito de indeterminação e em função de sua racionalidade bastante real pode-se configurar novos modelos de Deus, de homem e mulher, de cultura e sociedade, de tempo e história, de realidade e racionalidade, de teoria e prática, de consciência e experiência, de interesses e intencionalidades.
Indeterminados, somos eternos e infinitos, plurais e universais, globais e diferenciais, gerais, particulares e singulares.
Indefinidos, superamos as barreiras do conhecimento, ultrapassamos os obstáculos dos preconceitos e superstições, transcendemos os limites da aparência e da essência.
Somos então de fato substancialmente pessoas indefinidas e indeterminadas.
Tal é o nosso outro, novo e diferente momento real, racional e intencional da atualidade presente da humanidade de hoje.
3. A Crise dos Modelos
de Autoridade Competente
Em nossa sociedade moderna, temos assistido diariamente os conflitos e as discórdias aparentemente estabelecidos entre autoridades e seus subordinados, professores e alunos, médicos e pacientes, advogados e clientes, patrões e empregados, banqueiros e bancários, empresários e funcionários, comerciantes e comerciários, juizes e serventuários da justiça, pais e filhos, padres e fiéis, e outros, o que reflete e nos revela verdadeiramente a atual crise dos modelos de autoridade competente, fruto de pensamentos indeterministas e teorias relativistas, céticas e niilistas, que questionam tais paradigmas tradicionalmente absolutos, em nome de ideais como liberdade, individualismo, ateísmo, finitude temporal, instabilidade histórica, inconstância ética e religiosa, irreverência moral, inconsistência psicológica, desordem mental, indisciplina racional e desorganização dos conhecimentos até então adquiridos, transformando as garantias e seguranças desses modelos em algo efêmero, transitório, parcial, relativo, inconstante, sem estabilidade social, política, econômica e cultural, criando ao contrário por outro lado realidades cujos fundamentos não existem, bases sem bases, princípios ausentes em sua sustentabilidade, um mundo sem regras e sem dogmas, cuja essência é a eternidade de seus valores mutáveis, a mudança constitucional e institucional, o nomadismo de pensamentos e atitudes, a metamorfose ambulante, o movimento perene de construção de contrários, que se alternam permanentemente e se mobilizam infinitamente, e que tornam suas vivências e experiências cotidianas momentos de novas e diferentes possibilidades, abrindo o ser, o pensar e o existir para outras alternativas de liberdade e felicidade.
A Crise contemporânea desses modelos demonstra a necessidade que temos de certas mudanças para melhor, para o bem e a paz das sociedades humanas espalhadas pelo mundo inteiro.
Mostra-nos sobretudo que somos nômades.
Sim, estamos na era do movimento.
E tal movimento social e seu processo constante de mudanças destroem para sempre o desejo de modelos e autoridades permanentes, as teorias e ideologias absolutas e estáveis, dando origem pois a partir de agora aos pensamentos descartáveis, aos sentimentos relativos e aos comportamentos indeterminados.
É a indefinição da vida que se faz presente, visto que essa é a sua essência, o seu mundo de possibilidades e o seu universo de alternativas, sempre novas e diferentes.
Com efeito, a indeterminação é a nossa liberdade.
Indefinidos somos felizes.
Eis a nova visão das realidades vividas pela sociedade dos dias de hoje.
4. Na Berlinda da Existência,
os Autoritarismos de Estado, os Dogmatismos Filosóficos e os Absolutismos Científicos
Em função da ascensão do pensamento indeterminista atualmente em nossas sociedades locais, regionais e globais, aqui e agora, observa-se não só a crise das instituições como ainda a queda de regimes políticos antes sustentados pelo critério da estabilidade, o desprezo por filosofias e ideologias de cunho dogmático e a relativização das “verdades” científicas, outrora consideradas absolutas, intocáveis e seguras, todavia hoje perdem o seu significado eterno para se inserir no rol dos discursos verdadeiros mas relativos, transparentes porém transitórios, autênticos entretanto provisórios, sujeitos às instabilidades da experiência real cotidiana, aos limites da história e dos acontecimentos e às finitudes temporais cujas circunstâncias diárias e noturnas refletem a insegurança dos relacionamentos humanos e seu convívio sem garantias estáveis com problemas sociais e culturais, políticos e econômicos.
Desde então, na berlinda dos valores existenciais sem sustentabilidade segura e fundamentada, a vida social se vê questionada em seus momentos aparentemente carregados de garantias psicológicas e ideológicas, tornando assim o ambiente de relações e negociações algo descartável, mutável, irrisório, inconstante e muitas vezes irreal e irracional.
A Sociedade moderna está na berlinda da existência.
Vive hoje a sua própria metamorfose ambulante e circunstancial.
Suas transformações aparentes e essenciais a levam a um novo modelo de vida sustentado agora pela estrutura da instabilidade, provocando-lhe diferentes experiências voltadas ao bem que deve fazer e à paz que deve viver, se esse for o estado de existência ou o caminho que então abraçado certamente a ajudará a ser mais livre e feliz, ordeira e pacífica, fraterna e solidária.
As mudanças agora propagadas e que vem se consolidando no terreno social apontam para novos paradigmas de vida e outros e diversos modelos de existência cujas bases fundamentais são a eternidade dos pensamentos instáveis, a estabilidade das mutabilidades temporárias e a constância de ideologias e experiências sempre em movimento contínuo de superação de si mesmas, ultrapassando de acordo com a situação e o momento temporal e histórico os seus limites reais e transcendendo ao mesmo tempo as suas fronteiras e bloqueios de ordem social e cultural, política e econômica.
Urge buscar outros fundamentos baseados na idéia da instabilidade de valores, símbolos e vivências, todavia que seja sustentada e garantida por princípios racionais bem orientados cuja essência seja a sua durabilidade permanente.
Precisamos da instabilidade estável.
5. A Queda das Teorias
de Estabilidade
O Contexto histórico atual nos mostra que os modelos de instituições ou de estruturas e sistemas baseados na estabilidade estão caindo, isso porque as sociedades humanas modernas, em mudança permanente, vivem o contrário em seu cotidiano de vida: o caos das ruas, a instabilidade de idéias e valores, a insegurança existencial e espiritual, a falta de garantias econômicas e financeiras, o desemprego e a ausência de trabalho, a fome e a miséria, a turbulência urbana e rural, a crise moral e religiosa, o desvio de comportamento por causa de alterações no caráter ou aberrações na personalidade, a ignorância e o analfabetismo, a confusão mental, a desordem social e política, a ética sem transparências, a relativização das certezas absolutas, a indisciplina racional, a desorganização dos conhecimentos obtidos, a violência nos campos e nas cidades, os conflitos trabalhistas e familiares, os relacionamentos discordantes e antagônicos, as situações de indiferença e insensibilidade de uns em relação aos outros, a má conduta de grupos e indivíduos, a corrupção dos poderes, o vazio da vida e o nada da existência, o desrespeito às autoridades constituidas, a irresponsabilidade e as atitudes sem compromissos de muitas organizações corporativas, o amor carente de diversos casais, a ausência de fraternidade entre as pessoas e de solidariedade entre os povos, as amizades contraditórias e a generosidade hipócrita, enfim, um complexo de circunstâncias adversas que comprovam a insistência do indeterminismo coletivo em inúmeras populações e suas comunidades de moradores e trabalhadores, antes sustentadas por ideologias estáveis e teorias seguras que punham na estabilidade de paradigmas a sua força de permanência no meio da sociedade.
Hoje, os modelos de instabilidade já são uma realidade entre nós.
6. Sociedades Temporárias,
Culturas Transitórias e Mentalidades baseadas na Instabilidade
A Era das mudanças permanentes ou dos movimentos de metamorfoses constantes, que caracteriza o nosso instante atual, em todos os locais e regiões do Globo Terrestre, aqui e agora, vem construindo uma outra, nova e diferente cultura em nosso meio de vida e existência, como também uma diversa mentalidade baseada em alternativas e oportunidades que tendem a possibilitar valores, virtudes e vivências e experiências em torno da bondade e concórdia nos relacionamentos de cada dia, o que propicia para todos nós uma sociedade maior e melhor, certamente superior ao modelo de sociedade anterior, em que se viabilizam simultaneamente o progresso dos povos e o desenvolvimento das nações ricas e pobres, emergentes e em evolução temporária, o seu crescimento interior e exterior, físico e mental, material e espiritual, proporcionando assim aos seres humanos em geral mais saúde individual e coletiva, e mais bem-estar interpessoal, interdependente, onde a interatividade de pensamentos, sentimentos e comportamentos e seu compartilhamento de conteúdos de conhecimento de qualidade e excelência, geram maior dignidade humana e qualidade de vida comprovada no convivio social e cultural que estabelecem grupos e indivíduos diferentes e as novas e antigas comunidades de moradores e trabalhadores, que fazem as sociedades humanas caminharem nesse processo contínuo de transformações reais e atuais, temporais e históricas.
Esse quadro de instabilidade que hoje se verifica no meio de nós é o responsável pela construção de novos e diferentes olhares sobre a realidade, pela criação de diversos modelos de sociedade e paradigmas alternativos para o fluxo cultural que temos e o complexo de mentalidades cujo intercâmbio nos oferece oportunidades para produzir uma boa vida cotidiana e uma ótima existência fundamentada em bases psicológicas e espirituais bem consolidadas.
Hoje, o campo está fértil para o surgimento de categorias de vida e padrões de existência que encontrem no modelo de instabilidade a pedra fundamental para a construção de seu edifício físico, mental e espiritual, sustentado pelas garantias aparentemente seguras das sociedades móveis com suas mudanças estáveis e transformações mutáveis, que identificam o movimento moderno de metamorfoses ambulantes e seu processo de geração de condições de vida e trabalho, saúde e educação bem desenvolvidas.
Aqui e agora, abre-se o mundo para a renovação de suas estruturas de vida e a libertação de seus sistemas antes apegados ao absolutismo de suas representações mentais, institucionais e constitucionais.
Atualmente, um momento de abertura,
um instante de renovação interna e externa,
um cotidiano libertador de diferentes possibilidades e alternativas e oportunidades para todos e cada um.
Eis a Época da Instabilidade com seu indeterminismo cético e relativo, niilista e individualista.
Um tempo realmente de geração de novos modelos de Deus, de homem e mulher, de mundo e cultura, de sociedade e história, de natureza e universo, de vida e existência.
7. A Teoria Indeterminista
A Consciência dos Fenômenos
Indefinidos e a Realidade das
Experiências Indeterminadas
Sem teto e sem chão
Sem portas e sem janelas
Sem tempo e sem lugar
A Ordem do Caos
A Lógica do Concreto
A Eternidade das Realidades Infinitas
Um Mundo sem limites
Um Dia a dia sem fronteiras
Um Universo sem garantias
Uma Vida sem fundamentos
Um Cultura sem princípios
Uma Mentalidade sem origens
Uma Área sem seguranças
Uma Realidade sem bases
Uma Consciência sem fontes
Uma Natureza sem sustentáculos
8. A Cultura do Descartável
Em nossos tempos atuais, assistimos cotidianamente ao império de uma filosofia de vida cujo centro de atenções é o que é útil, agradável e interesseiro; à predominância de uma mentalidade onde o que é mais importante é a rapidez dos negócios, a velocidade das informações e a aceleração de atitudes e comportamentos; ao privilégio de uma cultura tipicamente descartável em que o que existe aqui e agora já não existirá amanhã ou em outro momento e lugar.
Então, o que vale é o instante, a situação momentânea, as circunstâncias aparentes e contingentes, a instabilidade do que é transitório e provisório, deixando-se de lado total ou parcialmente os valores permanentes, a constância das ações éticas e espirituais, a estabilidade dos trabalhos, o equilíbrio da mente e das emoções, o controle da consciência e o domínio de si mesmo.
É a cultura do descartável.
Na política, os deputados e senadores mudam de partido a todo instante caracterizando a chamada infidelidade partidária.
Na economia, o intercâmbio de capitais valoriza o dinheiro mais forte, aquele que tem mais poder, o que configura maior influência social, desprezando os baixos salários, o desemprego e as más condições do exercício do trabalho.
No casamento, passando pelo namoro e a paquera até chegar ao noivado, prevalece a mulher descartável, que o homem hoje arranja na rua e no dia seguinte está dentro de casa. E, dali a um mês, ambos já se encontram separados, partindo pois para novas uniões e novas separações, cada qual defendendo seus próprios interesses e privilégios, e garantindo o melhor lugar no mercado de amores e desejos, paixões e traições.
Nas Universidades, nas escolas de ensino médio e no ensino fundamental prioriza-se a didática da velocidade onde o tempo de ensino é dinheiro e a economia do conhecimento é a palavra mais forte na hora das avaliações dos alunos e alunas, sem falar nos testes de curto alcance e no baixo repertório de conteúdo proporcionado pelas provas presenciais e online, dentro e fora da sala de aula, nas pesquisas rotineiras e nos debates em que há mais gritaria do que raciocínio ou argumentação de idéias.
Na área de saúde, os médicos e enfermeiros e quase todos os agentes sanitários preferem vez ou outra o mercado da doença, o lucro que os remédios podem propiciar, o crédito oferecido pelos planos de saúde, a sua carreira profissional e a qualidade dos salários que podem usufruir, negligenciando o lado humanitário da enfermidade, a consideração que se deve possuir em relação ao doente ou paciente, o conteúdo de conhecimentos que a ciência, a tecnologia e a medicina em geral oferecem diante de tantas pragas e vírus, bactérias e moléstias as mais diversas e contraditórias, as condições ambientais dos hospitais, emergências e clínicas de saúde e ambulatórios, ignorando-se inclusive a prevenção profilática em nome de paliativos que não resolvem nem atingem a raiz dos problemas.
No campo da tecnologia, observa-se o constante troca-troca de telefones celulares, rádios e televisões, assim como a mudança permanente de automóveis novos e usados ou a compra e venda de imóveis, casas e apartamentos com uma rapidez e ousadia que nos impressiona e nos deixa surpresos.
No trânsito das cidades, ou até mesmo na aparente tranqüilidade dos campos e meios rurais, nota-se a urgência de atitudes, a emergência de comportamentos, a “falta de tempo” das pessoas, o descontrole dos horários e a falta de alternativas diante da hora curta e do pouco espaço de tempo e lugar, o desequilíbrio do tráfego com engarrafamentos e congestionamentos, acidentes de carros ou atropelamentos, a “hora do rush” quando tudo fica parado, trancado e engarrafado no vai e vem de ônibus, trens e barcas, autos e metrôs, navios e aviões.
Nas ruas e avenidas das Cidades, as pessoas não se olham mais, há uma correria exagerada para fazer as coisas, falta diálogo nas empresas e escritórios, os namorados esquecem-se até de beijar na hora da despedida, os transeuntes andam apressados superando o tempo escasso e o ambiente alienante e alienado onde se acham naquele momento.
Enfim, a cultura do descartável na mente das pessoas faz todos correrem, serem velozes e acelerados, driblando a disciplina necessária na hora dos compromissos ou ignorando a responsabilidade diante da indispensável maneira de assumir as coisas, os trabalhos e as tarefas do dia a dia.
Também no esporte – o comércio dos jogadores e atletas nacionais e internacionais – como na arte e na filosofia sobressaem a mentalidade de quem produz conteúdos descartáveis e o ambiente de negócios desqualificados, incompetentes e sem a transparência ética devida perante o mercado do que é útil e rápido, incoerente e instável, inconstante e veloz.
Sim, hoje o mundo é descartável.
Nesse universo, reinam os espertos e caem as pessoas direitas e de respeito.
Imperam os malandros.
9. Nomadismo
Sem tempo e sem lugar,
a experiência e a consciência
de atividades cotidianas
em permanente movimento
Mundo Polivalente,
Multifuncional e Pluridimensional
Observa-se hoje em dia, como fenômeno social emergente nas sociedades contemporâneas, aqui e agora, em áreas locais, regionais e globais, a presença de um novo comportamento vivencial, experiencial e existencial, temporal e histórico, real e atual, ao qual denominamos de Nomadismo, em que o homem e a mulher, na moderna era científica e tecnológica, crítica e dialética, informática e insofismática, dentro de sua experiência real cotidiana, age, vive, atua, trabalha e se movimenta constantemente, ultrapassando mesmo o tempo necessário para realizar suas atividades ao mesmo tempo em que ignora a fixação de lugares e a imobilidade de endereços fixos, então pensando idéias e ideais realistas, sentindo sentimentos sérios, autênticos e verdadeiros, comportando-se rapida e velozmente, otimista e positivamente, com bom alto-astral e auto-estima elevada, favorecendo diferentes tendências, abrindo-se a novas possibilidades, renovando-se interior e exteriormente, libertando-se de preconceitos e superstições, progredindo material e espiritualmente, evoluindo mental e fisicamente, crescendo economica e financeiramente emergindo social e coletivamente, emancipando-se politicamente, desenvolvendo-se natural, cultural e ambientalmente, superando limites, ultrapassando barreiras e transcendendo obstáculos, criando novas amizades, apaixonando-se por novos amores, crendo mais em Deus, confiando mais em si próprio, acreditando nas boas coisas da vida, na vitória do bem sobre o mal, da paz sobre a violência, da luz sobre as trevas, do amor sobre o ódio, da vida sobre a morte, abraçando pois a cultura do bem e da paz, e a mentalidade baseada na fraternidade, na solidariedade e na generosidade, agindo com mais juizo e bom-senso, buscando mais a sua saúde pessoal e o bem-estar dos outros, desejando mais a sua liberdade e a felicidade alheia, respeitando para ser respeitado, assumindo um compromisso responsável com sua ética comportamental, com sua espiritualidade natural, com sua nova mentalidade cultural cujos valores, normas e princípios fundamentam-se na prática da ordem e da justiça, do direito e da verdade.
Tudo isso, enfim, aponta para o Fundamento de todos os fundamentos, Ele, Deus e Senhor, o Criador, o Autor da Vida.
De fato, atualmente temos uma nova visão de Deus, um novo olhar sobre o homem e a mulher, uma nova interpretação da realidade.
Todo esse complexo humano, natural e cultural de limites, tendências e possibilidades caracterizam o Nomadismo, a nova humanidade dos tempos de hoje.
10. O Reino dos fluxos indefiníveis e o
Império dos complexos indetermináveis
A Filosofia indeterminista e seu mundo de ideologias sustentadoras de uma outra, nova e diferente realidade, identificada com o valor das indefinições e das representações indeterminadas, é responsável hoje pela crise de modelos de estabilidade, pela origem de opiniões céticas onde se acham a incerteza dos conhecimentos e as dúvidas sobre as verdades construídas, pelo niilismo existencial em que se verificam o nada da existência e o vazio espiritual, pela relativização dos fenômenos da experiência real cotidiana onde se privilegiam culturas descartáveis e mentalidades sem fundamentos concisos, a falta da essência na geração dos acontecimentos e dos relacionamentos e o cultivo das relações aparentes, sem substâncias filosóficas, que ignoram uma boa ética comportamental e uma ótima espiritualidade natural, assim como idéias sem sentido algum, raciocínios sem lógica nenhuma, símbolos confusos e imagens complicadas, valores sem consciência e consciências sem valores, atitudes sem respeito e irresponsáveis, juízos irreais e ausência de bom-senso nas atividades, a irracionalidade das ações e a inconsciência dos sentimentos vividos, pensamentos alienados e teorias alienadoras da realidade, distúrbios mentais e desequilíbrios emocionais, a violência e a agressividade nos intercâmbios entre as pessoas, a carência afetiva e o descontrole da cabeça com parcial domínio de si mesmo.
Esse reino de indefinições vividas revela a crise atual em que estamos.
Esse império de comportamentos indeterminados parece sugerir-nos a necessidade de buscarmos a partir de agora um novo modelo de sociedade e diferentes paradigmas de vida onde se gerem outras visões de Deus, de homem e de mulher, de tempo e de história, de mundo e de realidade, de natureza e de universo, de matéria e espírito, de corpo e de mente, de consciência e de experiência, de racionalidade e acontecimento.
De fato, o indeterminismo tem seu lado negativo porém nos apresenta um mundo de possibilidades e alternativas capazes de produzir diversas oportunidades para todos e cada um, além de nos propiciar esperanças de um mundo melhor e uma vida e existência mais pacíficas e fraternas, baseadas no bem pessoal e na solidariedade coletiva, condições de uma humanidade mais livre e feliz.
Assim, o momento presente é de expectativa para o que possa surgir de novo.
Quem sabe um novo céu e uma nova terra.
Talvez o paraíso que todos almejamos.
Possivelmente, um caminho aberto para a satisfação dos nossos desejos e anseios e realização dos nossos sonhos e necessidades.
Eis uma nova estrada de diferentes possibilidades.
Mergulhemos pois no novo.
Vivamos a diferença que agora está diante de nós.
Será a nossa liberdade que se aproxima ?
Pode ser.
11.a. Quando a realidade é cética/A
Na experiência indeterminista, a realidade é cética, carregada de dúvidas existenciais e de incertezas no conhecimento adquirido, tornando então a vida humana vazia e sem sentido, ou, na melhor das hipóteses, transformando a nossa tradicional visão da realidade e inserindo-nos pois em um olhar novo e diferente sobre esses fenômenos cotidianos e suas ocorrências reais e atuais, temporais e históricas, e seus acontecimentos transcendentais, imanentes e transcendentes.
Desse modo, a existência humana vira uma metamorfose situacional onde as circunstâncias reais e ambientais fazem-se relativas, aparentes e efêmeras, provisórias e transitórias, não admitindo idéias constantes e valores permanentes, virtudes estáveis e vivências seguras, todavia ao contrário instala entre nós a cultura da instabilidade e a mentalidade baseada nos movimentos descartáveis da natureza e na dinâmica operacional do universo que agora tem o seu entendimento aparentemente em crise, confuso e mentalmente complicado, sujeito às intemperanças da consciência e aos desequilíbrios da liberdade humana, ao descontrole de sua racionalidade e à ausência de domínio de sua inteligência.
Ocorre então que a teoria e a prática humana, natural e cultural, acham-se conturbadas, conflitantes e violentamente na berlinda de uma vida ora sem significado algum, ou então com uma compreensão parcialmente outra, nova e diferente sobre os diversos momentos e acontecimentos da realidade da experiência cotidiana.
Nesse processo de tentativas reais e abstratas de entendimento do que se passa então na vida da história e na história da vida integram-se para isso o ceticismo com suas dúvidas e incertezas, o niilismo com seu nada e vazio, o relativismo com suas indiferenças relativas e ignorâncias quanto à possibilidade do absoluto, o indeterminismo com suas indefinições temporais, o individualismo com seu isolamento exterior e sua solidão interna, e o ateísmo, que, na verdade, não ignora a idéia de Deus, mas ao contrário levanta a hipótese de um outro conceito de divindade, com novas formas de expressão e diferentes manifestações para a vida da humanidade.
Tal realidade cética aponta-nos para um novo mundo de possibilidades e alternativas variadas de compreensão dessa mesma realidade, que parece abrir-se para as diferenças da novidade permanente, capaz de nos gerar uma boa vida social, um grande engajamento político, um correto comportamento ético, um equilibrado nível de vida econômica e financeira, um conhecimento qualificado de nossas produções culturais, uma nova forma de fazer arte e ciência, uma outra visão da história das relações humanas, e quem sabe uma diferente maneira de visualizar a nossa espiritualidade natural, em que Deus tenha uma definição mais justa de quem Ele é aliada de uma reflexão mais positiva e otimista no meio da sociedade.
Logo, longe de amedrontar-nos ou nos intranqüilizar, devemos ver o ideal indeterminista como uma oportunidade verdadeira de constituição de uma realidade mais autêntica e transparente, uma possibilidade de saúde e bem-estar para nós no presente e futuro, e uma alternativa talvez de construção de melhores condições de vida e trabalho para as pessoas, com a sua conseqüente qualidade de vida e existência excelente finalmente postas em prática.
De fato, com a filosofia indeterminista se observa que uma nova realidade parece se nos apresentar.
Que ela surja com boas esperanças para a humanidade, trazendo-lhe pois de verdade maior liberdade de ação e manifestação, fundamento da verdadeira felicidade.
11.b. Quando a realidade é cética/B
Diversas vezes no dia a dia da nossa vida familiar, ou nas ocupações do trabalho e do emprego, ou nas preocupações com nossas necessidades cotidianas, ou nos nossos relacionamentos diários e noturnos em casa, na empresa, na rua, no supermercado, no jornaleiro e na farmácia, no botequim e na padaria, ou ouvindo as notícias do rádio, dos jornais e das revistas, ou assistindo à programação da televisão e do computador na internet, ou telefonando e nos comunicando com alguém, ou rezando na igreja ou visitando um amigo no hospital, ou estudando na escola e na faculdade, ou andando de trem, ônibus ou metrô, vemo-nos perturbados por dúvidas na mente e incertezas nos conhecimentos que adquirimos, incomodados com as divergências na família ou com colegas do trabalho, vivendo a instabilidade de conflitos que se criam e violências que se instalam nas localidades e ambientes por nós vividos, experimentando diálogos discordantes e conversas que contradizem nossos comportamentos comuns no dia a dia, convivendo com a contrariedade das pessoas que se dirigem a nós e as adversidades com quem nos encontramos momentaneamente,
enfim, sendo condicionados por um estado de vida constantemente em crise, incerto nas suas ações, imaginário nas suas realizações, duvidoso nas suas experiências mais decisivas e importantes, desequilibrado ainda que tentemos manter o controle da nossa vida e o domínio de nossas atitudes, quase sempre inconsciente, irreal e irracional, precisamos então reverter tal situação disciplinando a nossa razão, dominando os nossos desejos e paixões, controlando a nossa mente e as nossas emoções, equilibrando a nossa vida financeira, social e psíquica, colocando pois ordem em nosso interior, organizando as nossas idéias e valores, a fim de que tenhamos uma consciência boa e um comportamento bem razoável, com que será possível bem administrar a nossa existência, e oferecer-lhe condições de boa saúde e bem-estar, qualidade de vida elevada, felicidade no que se faz e realiza, liberdade de trabalho capaz de gerar novas alternativas de cumprimento de nossos deveres e obrigações e diferentes possibilidades de satisfação de nossos direitos e anseios e realização de nossa vida vocacional e profissional.
Com o ordenamento da nossa consciência, a disciplina de nossas atividades e a organização de nossos conteúdos de conhecimento, é possível superar essa realidade cética que procura nos envolver, ultrapassar os seus riscos e os seus medos, e transcender as suas dúvidas existenciais e incertezas espirituais, abraçando de verdade em nossa vida real e atual os fundamentos seguros que nos garantam a paz interior tão necessária, o bem que devemos fazer, a estabilidade de nossos atos diários e a consolidação dos nossos princípios de vida baseados certamente na fé em Deus que é preciso usufruir e na prática de coisas boas para o nosso instante de aqui e agora tais como construir boas amizades, ser amigo e fraterno com as pessoas, ser generoso e solidário em nossas relações humanas e sociais, e desenvolver uma política de amor em que sobressaiam o nosso otimismo, a nossa alegria e o sorriso no rosto e nos lábios, o que na realidade fará crescer a nossa auto-estima, sem a qual não teremos força suficiente para derrubarmos nossas realidades incertas, inseguras e duvidosas.
Portanto, aumentar o nosso astral é fundamental e vital para o sucesso cotidiano, condição de ordem e felicidade em nossas vidas de cada dia.
12. A Experiência Niilista
Após o auge do Romantismo do século XVIII, a crise de valores éticos e religiosos do século XIX e a ascensão do pensador alemão Nietzsche durante esse período, a revolução cultural, tecnológica e científica do século XX, o desenvolvimento da Informática, da Nanotecnologia, da Inteligência Artificial, da Robótica e dos Sistemas com circuitos integrados e sua técnica dos Chips, que nos atingem sobretudo hoje, em pleno século XXI, como uma espécie de reação natural e compensação psíquica e social, levantam-se atualmente diversas ideologias políticas, teorias científicas, filosofias existenciais e modelos espirituais de vida cujas características cotidianas se identificam com o nada da existência, o vazio do espírito, a falta de sentido para a vida, a ausência de razões para viver e existir, a idéia de que somos inúteis e não valemos nada, a carência afetiva, o isolamento exterior e a solidão interior, a alienação da realidade, os conflitos familiares e trabalhistas, os maus relacionamentos e os comportamentos descartáveis, os desvios de caráter e as aberrações da personalidade, a confusão mental e a desrazão irreal, a irracionalidade e a inconsciência dos valores, intenções e interesses da inteligência, a violência urbana e rural, a fome e a miséria, a pobreza e a ignorância, o analfabetismo, enfim, o estado crítico e dialético de vida e existência que suportamos hoje, causando-nos desequilíbrio mental e emocional, descontrole da consciência e falta de domínio de si mesmo, instabilidade social e familiar, inconstância moral e ética, insegurança espiritual, falta de garantias seguras de vida material, física e mental, tudo isso nos revela o quadro negro de uma realidade vazia e nada-nte, a qual constitui o nada e o que é inútil como fundamentos da existência humana, sem sentido algum, insignificante e absurda.
Lado a lado com o indeterminismo, a corrente niilista atravessa a história real e atual do mundo de hoje exigindo de nós uma retomada de atitude e uma revisão de comportamento que nos ofereçam condições suficientes para a superação dessa problemática presente que vem atingindo em cheio toda a conjuntura da humanidade.
Devemos rever nossas posições éticas e reavaliar nossos princípios de vida espiritual, de tal modo que possamos refundamentar as nossas realidades humanas, vivas, sociais e existenciais, a fim de que não caiamos em tal moléstia da alma com efeitos de crise patológica que vem adoecendo hoje o nosso espírito, infernizando o nosso corpo e tornando enfermas as nossas possibilidades e alternativas de ultrapassagem dessa berlinda doentia da existência que verificamos aqui e agora.
De posse desses fundamentos morais e espirituais bem orientados é possível transcendermos tal situação caótica e suas circunstâncias de morte cultural e prisão psicológica, além é claro das algemas mentais e das cadeias ideológicas que essa escravidão meta-neurótica e psicótica faz-nos viver no momento atual.
É preciso coragem!
Coragem para ir à luta, e vencermos essas contradições da vida contemporânea.
E muita fé em Deus, é óbvio.
13. Tudo é Relativo
A Corrente de vida e pensamento relativista, que prega a relatividade de todas as coisas, a ausência do absoluto, onde não existem centros definidos mas sim a indeterminação de todos os pontos de referência, fazendo dessas referências indefinidas novas centrais de relacionamento, de convergências de consciências e experiências diferentes, que concentram a diversidade de situações vividas e de circunstâncias praticadas, afirmando assim a variedade da realidade e sua rede de relações intercambiais, interativas e compartilhadas.
Sim, tudo é relativo.
Todos são partes de um todo em processo permanente de construção.
Todos comungamos e participamos de diferentes centros de debates e de discussões, de possibilidades variadas e alternativas diversas, convergentes ou divergentes, de acordo com a finalidade e o conteúdo das relações que se fazem e se realizam tendo em vista a mútua cooperação e a colaboração recíproca.
Somos relativos uns aos outros.
Dependemos.
Somos interdependentes.
Dependemos uns dos outros.
Dependemos do mesmo centro, ou de centros diferentes.
Somos pois diferença, diversidade, variedade, dependência, interatividade, compartilhamento, cooperação, colaboração, intercâmbio de culturas e mentalidades convergentes.
Não há a possibilidade de idéias ou realidades absolutas.
Somos aparências, temporalidade, historicidade, realidades transitórias e provisórias, relativas, sempre em referência a alguma coisa, momentos de instabilidade de vida e existência.
Nesse movimento relativista, a filosofia indeterminista encontra apoio e sustentabilidade, base de crescimento e fundamento para suas manifestações cotidianas na vida da sociedade.
Relativos e indeterminados, podemos construir um novo mundo de interatividades cujas possibilidades se assentam em diferentes núcleos de referência positiva, geradores de relações progressivas e evolutivas.
De fato, tudo é relativo.
Nossas idéias são relativas.
Nossas certezas são relativas.
Nossas verdades são relativas.
Nossos pontos de vista são relativos.
Ser relativo, eis o princípio da liberdade.
14. Mais indivíduos do que pessoas
Um dia desses, fui ao centro da cidade, no Rio de Janeiro, e passando pela avenida Rio Branco, observei aquela multidão indo e vindo pra lá e pra cá uns apressados e outros andando devagar, mais alguns caminhavam perdidos no meio do povo ora lendo o jornal do dia ou acessando o celular, ora preocupados com os afazeres cotidianos ou conversando aos passos rápidos com a namorada ou um amigo ou um conhecido do percurso ou um colega de trabalho, outros ainda dispersos no meio de tanta gente faziam anotações em suas agendas de papel ou eletrônicas, ou faziam um toque de batucada de samba na pasta de trabalho como que querendo animar o seu dia a dia tão conflitante e turbulento, confuso e complicado, ou pessoas executivas e trabalhadores de plantão de terno e gravata dirigindo-se a seus ambientes de emprego com uma velocidade superior ao tempo e com uma aceleração cuja rapidez ultrapassava a força do pensamento, tão céleres que se encontravam.
Eram indivíduos que passavam e não pessoas que viviam a vida.
Homens e mulheres perdidos no meio do caminho.
Empresários sem tempo para dialogar com outrem.
Executivos e advogados mais preocupados com o horário e o dinheiro, com seus trabalhos velozes e apressados, do que consigo mesmos.
Bancários e comerciantes que superavam a velocidade do pensamento e ultrapassavam a aceleração do tempo, sem oportunidades para si próprios, esquecidos e ignorados e sem identidade dentro daquele clima de transeuntes ocupados com seus problemas e aparentemente desesperados com a vida que levavam e a existência que carregavam como um peso pesado da realidade.
Ali, não havia sonhos nem esperanças.
Lá, era o lugar da bagunça mental e do caos social e ambiental da Cidade do Rio.
Pareciam máquinas.
Eram motores ligados e desregulados, perdidos e dispersos, alterados em suas emoções, desequilibrados por seus desejos, anseios e paixões, descontrolados dentro da massa e sem domínio algum da parte deles mesmos.
Era a massa, gente sem identidade, indivíduos sem personalidade, pessoas superficialmente sem caráter algum.
Sujeitos sem particularidades.
Egos sem eu.
Assim é o indeterminismo atual, que encontra no individualismo das pessoas a chance para se promover e a oportunidade para se instalar no interior da realidade cotidiana.
Indivíduos, mas não pessoas.
Porque pessoas indefinidas e indeterminadas.
Que fazem da turbulência mental e social o único caminho de existência nesta vida, uma vida sem identidade.
15. Somos de Deus,
embora ateus
O Ateísmo dos tempos modernos tem uma identidade diversa dos séculos passados onde predominava a idéia da ausência de Deus na realidade e na vida humana, ao contrário e diferente de hoje cujo entendimento é o de que precisamos de um outro modelo de Divindade, uma nova visão do Criador e uma diferente interpretação da realidade divina, eterna e infinita, transcendente e imortal, da vida sem fim e sem limites que vai além da morte física e temporal.
Pertencemos a Deus, mas tendo de Deus um olhar mais transparente, autêntico e verdadeiro.
Reconhecemo-nos criaturas do Senhor, todavia olhamos agora esse Senhor com mais consciência do que de fato Ele é e representa para nós, um Senhor amigo e amoroso, compreensivo e respeitoso, bom e pacífico, eterno e maravilhoso, poderoso e misericordioso, vivo e infinito, perfeito e excelente, fiel aos seus princípios e favorável a quem é bom e faz o bem, que oferece sempre os seus benefícios presentes a quem procura viver uma vida de direito e respeito, livre e responsável, equilibrada e sensata, tolerante e compreensiva, amiga e generosa, fraterna e solidária, justa e verdadeira.
A partir desses princípios naturais da vida e existência humanas, descobrimos um outro Deus, nos conscientizamos de que o Senhor também é natural, e não sobrenatural como afirmavam no passado.
Sim, Deus é natural.
O Senhor é humano.
O Criador compreende a gente.
É nosso amigo.
Em função dessa compreensão da atual realidade divina, o indeterminismo faz o seu jogo cotidiano tornando-se então mais racional e consciente de suas responsabilidades no interior da sociedade.
Como se observa, graças ao pensamento e à realidade indeterministas e sua visão da história e da humanidade podemos hoje nos alegrar com a possibilidade de uma outra idéia de Deus, sempre presente e insistente na realidade das sociedades humanas, porém hoje mais compreendida e pelos humanos feita mais consciente, liberta dos preconceitos de outrora e de suas superstições bloqueadoras de sua racionalidade.
Temos então o mesmo Deus de toda a história da humanidade entretanto com uma consciência maior e melhor por parte dos homens e mulheres contemporâneos, entendimento esse propiciado pelos questionamentos constantes e pela problemática existencial e espiritual erguida pela ideologia indeterminista.
Hoje somos mais conscientes de quem Deus é.
E assim mais comprometidos com Ele.
Mais fiéis a Ele.
Mais amigos dEle.
Eis o Deus da Vida como de fato Ele se dá para nós.
Eis o que Ele representa para nós hoje.
16. O Princípio da Incógnita
Aplica-se o Princípio da Incógnita em situações de conflito que precisam ser solucionadas, em casos de emergência onde se observa tensões entre os adversários e pressões entre os inimigos, em circunstâncias de perigo ou crise psicológica e espiritual, mental e existencial, vivencial e emocional, em momentos de aflição e angústia, tristeza e depressão, nos instantes mais graves da nossa vida de cada dia quando não encontramos respostas para as nossas perguntas, ou nos envolvemos em uma rua sem saída, ou não sabemos solucionar as nossas dúvidas e incertezas mais insistentes.
Nesses casos e em tais condições de vida e existência, o Princípio da Incógnita acalma os grupos e indivíduos, tranqüiliza os ambientes adversos, ameniza o clima contrário, atenua as contrariedades e as contradições internas e externas que ora encontramos em nossos relacionamentos de família e de trabalho, nas discussões sérias com conhecidos no meio da rua, nos debates nas universidades quando os raciocínios se tornam críticos e as retóricas se acham dialéticas, no bate-papo do dia a dia ao entrarmos em choque com pontos de vista diferentes, visões da realidade contrárias à nossa, interpretações antagônicas acerca dos seres e das coisas que envolvem os fenômenos da realidade, brigas e confusões entre colegas do trabalho ou vizinhos do mesmo condomínio, condições vivenciais que apontam para a maldade das pessoas e a violência contra a sociedade.
Digamos por exemplo que 2 namorados vivem discutindo noite e dia sobre a necessidade de fazer ou não sexo antes do casamento. Como resolver essa questão ? Apelando-se para o Princípio da Incógnita nota-se que passamos a encontrar um terceiro caminho de solução para essa crise de sexualidade entre um jovem moço e uma jovem garota.
Fazer sexo ou não antes do casamento ?
O Princípio da Incógnita nesse caso atuaria dizendo: “mais tarde falamos sobre isso”; ou “depois a gente conversa”; ou “não se preocupe com isso, ocupe-se sim com outras coisas”. Ou seja, o Princípio da Incógnita intenciona manter a dúvida sobre a questão, a incerteza na relação, o desconhecido como ponto de partida amenizador dos conflitos então gerados, proporcionando assim calma aos ânimos agitados e tranquilidade às pessoas briguentas, dando-lhes mais tempo para pensar sobre o assunto, mais condições de liberdade para tratar bem do problema, mais alternativas de solução para a problemática instalada, mais oportunidades para condicionar respostas e soluções para essas crises existenciais, tensões espirituais e pressões sociais e mentais, abrindo pois o caminho possibilitador de um ambiente mais agradável e favorável que realmente leve ao milagre da opção mais certa, racional e equilibrada para as circunstâncias turbulentas que ali se criaram.
O Princípio da Incógnita sempre acha uma terceira via solucionadora para os problemas existentes.
Ele, o Princípio da dúvida que acalma, da incerteza que tranqüiliza e do desconhecido que nos traz naquele momento uma paz relativa e provisória, a partir da qual se procurará a solução desejada para ambos, os agentes conflitantes.
Ele, uma alternativa razoável,
a opção talvez mais certa naquela hora,
a atitude madura de quem quer bem resolver o problema,
a certeza de que o equilíbrio tem que ser mais forte e o bom-senso a ação mais adequada em tais circunstâncias.
Ele, um caminho de solução,
uma resposta em meio a crises, pressões e tensões, doenças e enfermidades, desvios e aberrações, desesperos e aflições, inconstâncias e instabilidades, conflitos e discordâncias, contradições que propiciem comportamentos violentos e gestos agressivos.
Uma boa estrada nos instantes mais difíceis e nos momentos quase impossíveis da nossa vida cotidiana.
Um jeito diferente de resolver as coisas.
17. Às Margens do Vácuo
A Realidade da experiência humana cotidiana nos mostra que sempre estamos nesta vida entre as fronteiras da razão e da desrazão, do equilíbrio e da loucura, do sensato e ordenado e do imaginado e inconsciente, do real e do irreal, do racional e do irracional, do intencional e do acaso, ou seja, em outras palavras, às margens do vácuo, podendo ou não muitas vezes cairmos no vazio espiritual e no nada da existência ou ao contrário mantermos o controle da nossa mente e das nossas emoções, desejos e paixões, e o domínio sobre nós mesmos, equilibrando-nos no meio da realidade, agindo com juízo e bom-senso em nossas atividades diárias e noturnas e em nossos relacionamentos interpessoais e em nossos comportamentos interdependentes, refletindo assim a necessidade que temos uns dos outros, a exigência da nossa natureza por ações fraternas e solidárias e atitudes cooperativas e colaborativas.
Além dos limites da racionalidade e das fronteiras da realidade, seja no campo da ética ou do conhecimento, seja na dimensão natural ou sobrenatural, seja na condição mental ou espiritual, seja nas circunstâncias de família e trabalho ou nas situações de ordem política, econômica, social e cultural, está o mundo do vácuo, o universo do silêncio, a realidade do vazio e o ambiente do nada.
Parece mesmo que em nosso dia a dia vivemos entre o silêncio e o barulho, a vida e o nada, a existência e o vazio, o tudo e o vácuo.
Sim, viver é estar diante do abismo.
É arriscar-se a cair ou não na ausência do sentido e na falta de razões para viver e existir.
A Vida de fato é uma corda-bamba.
Nós, os equilibristas.
Se cairmos, vamos ao fundo do vazio e do abismo.
Se nos equilibrarmos bem, então teremos a vida, viveremos bem a nossa vida de cada dia.
Ora, o segredo pois de uma boa vida é o equilíbrio da mente e o bom-juizo da consciência.
Sem eles, tudo é o vazio da doença, o abismo da cultura da morte e da violência, o nada de uma existência sem sentido e razões para viver, o silêncio sem amor, a mentalidade de quem faz do vácuo a sua ideologia, a sua liberdade e felicidade.
Portanto, manter o equilíbrio e usar sempre o bom-senso em nossos comportamentos é com efeito garantir a nossa segurança existencial, fugindo dos laços da indefinição e das cadeias e prisões da indeterminação.
Conscientes de nossos limites humanos e naturais, sabemos que estamos sempre perante a realidade oca, o buraco negro da existência, o fundo sem chão de uma experiência indefinida, o mais profundo solo da indeterminação dos seres e das coisas.
Devemos pois ser equilibristas.
E tomar consciência do que està às margens da vida: o vácuo da existência, o vazio da espiritualidade, o silêncio do tempo e da eternidade, o nada de uma realidade irreal e irracional, o abismo da inconsciência imaginária total ou parcialmente alienada.
Fora de nós, por conseguinte, o fundo sem fundo.
Dentro de nós, o equilíbrio da racionalidade e o bom-senso de uma cabeça sadia e de bem com a vida.
Que Deus, o Senhor, nos ajude a ser nesta vida bons equilibristas.
Buscando sempre o bom-senso das coisas e fugindo permanentemente da loucura de uma imaginação doente que nos persegue a cada instante.
Sejamos da vida, pela vida e para a vida.
O Resto é o vazio.
18. O Ser e o Vazio
A Existência humana e sua realidade cotidiana nos apresentam os conteúdos do ser natural e universal, e os detalhes de sua essência globalizadora e as diferenças de sua substância totalizante.
À margem desses conteúdos pensantes, discernentes e cognoscentes está o vazio da vida indefinida e o nada dos ambientes indeterminados.
No vazio do ser, a irrealidade de um viver sem sentido e a irracionalidade de um existir sem razões suficientes para se constituir, se propagar, se consolidar e se estabilizar.
Ali, o nada é a presença, o vazio é a essência, o silêncio é a transparência, a ausência é a consciência, a falta é o todo, o abismo é o mais fundo da realidade e o mais profundo da eternidade.
Sim, entre as fronteiras do ser e suas manifestações simbólicas e imaginárias, eidéticas e eustáticas, intencionais e insofismáticas, vivenciais e experienciais, e os limites do nada que nada para o mergulho no oceano das coisas vazias e dos seres faltantes, das instâncias silenciosas e das aparências ausentes, se encontram as relações entre as pessoas, as suas conexões internas e externas, a sua interatividade com a realidade, o tempo e a história, o seu compartilhamento de tudo o que é bom e faz bem à vida humana, à natureza criada e ao universo gerado, a cooperação mútua entre grupos e indivíduos que comungam das mesmas idéias e conhecimentos e participam dos mesmos interesses em jogo, a colaboração recíproca entre comunidades distantes e sociedades locais, regionais e globais, o intercâmbio de atividades conscientes e de exercícios reais e racionais, temporais e históricos.
A Realidade da experiência cotidiana nos oferece essa possibilidade de vida e essa alternativa de trabalho: ser mediadores entre o ser e o vazio, intérpretes das concordâncias ou não entre a essência e o nada, visualizadores das discórdias ou não entre a substância vivente e o vácuo sem alma.
Somos pois na vida intercessores junto a Deus, realizando e construindo o ser, o pensar e o existir, e ignorando e destruindo os antagonismos da existência, as antinomias da humanidade, as contradições da vida, as adversidades da realidade e as contrariedades da consciência, da experiência e da existência, identificados com a cultura do mal, da morte e da violência e com uma mentalidade que despreza a saúde das pessoas e o bem-estar pessoal e social.
Nessas relações de vida, que fazem a conexão entre o ser e o vazio, se acha a energia vital, a dinâmica do mundo, o movimento da natureza e o processo de vida móvel do universo.
Somos relações vivas.
Vivemos em situações intercambiantes.
Existimos a partir de interatividades que se completam e em função de compartilhamentos que se enriquecem e aperfeiçoam na ajuda de uns aos outros.
Somos operações interdependentes.
Tal verdade real nos afasta de uma vida sem sentido.
Então, o vazio foge de nós e o ser se enche de conteúdo humano e natural.
Até as pedras se integram dentro dessa realidade interativa.
Tornam-se pedras vivas.
Ajudam na construção do edifício do bem e da paz, o principal conteúdo do ser.
Somos essas pedras vivas, produzindo no seio das sociedades humanas a fraternidade universal e a solidariedade entre os povos.
É como se Deus viesse habitar no meio de nós.
Ele, o Ser sem vazio.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
O Direito de ser direito
A Justiça e o direito
de ser direito
O Poder da argumentação das idéias e a sua fundamentação jurídica esconde muitas vezes o conflito existente entre o que é legal e o que se torna legítimo, entre a racionalidade da retórica e a experiência do bom-senso, entre os limites da lei e as fronteiras do equilíbrio, entre as definições da constituição federal e as determinações do bom juízo da consciência.
Às vezes não compreendo as decisões da justiça comum perante os conflitos gerados pela sociedade, optando ela quase sempre por alternativas que revelam a relatividade das coisas e o ceticismo do conhecimento, sem falar na falta de transparência ética e na ausência de uma espiritualidade natural firme e forte que possa dar contra dos vazios da existência e das carências das anomalias humanas.
A Justiça busca resolver distúrbios e solucionar conflitos baseando-se na legislação em vigor, mas conheço casos específicos como por exemplo “o crime do menino João Roberto Amorim na Tijuca”, “os bebês anencéfalos”, “o assassinato de Daniela Perez”, “o julgamento de Eurico Miranda, ex-presidente do Vasco da Gama”, “o filho de Cássia Eller” e outros onde prevaleceu não a lei todavia a interpretação da lei, para a qual contribuem efetivamente os valores e as virtudes do juiz, o seu repertório cultural, a sua educação familiar, as suas crenças religiosas e as suas ideologias políticas, o seu poder de magistrado e as pressões da opinião pública, os interesses particulares e as intenções obscuras que nem sempre são descobertas.
Ignora-se na verdade o grande princípio do direito: o direito de ser direito.
Diante das relatividades da justiça e das arbitrariedades de suas autoridades competentes, procuro abrigar-me no bem que faço e na paz que eu vivo, no respeito que ofereço às pessoas e na responsabilidade de meus atos, no bom-senso da minha consciência e no equilíbrio da minha existência, na liberdade que me faz tender para a felicidade pessoal e social.
Mais importante que a justiça das instituições, creio eu, é o direito de ser direito, que inúmeras vezes os tribunais não querem reconhecer.
Prefiro a bondade e a amizade dos meus relacionamentos com as pessoas do que a violência da justiça e as confusões de seus julgamentos e as complicações de suas sentenças e decisões.
A Justiça tem o seu valor, é óbvio.
Todavia, não gosto da ausência do direito em suas prerrogativas.
Ela usa o direito, mas não age direito.
Seus princípios são corretos, entretanto sua prática falta com a verdade da boa consciência, a transparência da boa ética e a autenticidade da boa natureza humana.
O Direito está ausente.
Prega-se a justiça, porém se excluem a clareza da razão, a lucidez da inteligência, a moralidade dos comportamentos e a pureza dos bons relacionamentos.
Os julgamentos certas vezes parecem confusos, o discernimento não existe, os conhecimentos falham, as atitudes são desequilibradas e o perfeito juízo não está presente.
Então, os tribunais se tornam violentos e os juízes agressivos.
Tenho predileção pelo direito de ser bom, de fazer o bem, de viver em paz com as pessoas, ao invés de criticá-las e só discordar delas.
Gosto das pessoas direitas e não dos indivíduos justos.
Justiça talvez tenha um compromisso com a violência.
Prefiro o direito de ser bom, de fazer o bem e de viver em paz com as pessoas.
Falta isso na justiça.
Falta-lhe a bondade do direito e a concórdia da verdade.
Falta-lhe justamente o direito de ser direito.
Dizem que Deus é justo.
Eu acho que não.
O Senhor é direito, isso sim.
de ser direito
O Poder da argumentação das idéias e a sua fundamentação jurídica esconde muitas vezes o conflito existente entre o que é legal e o que se torna legítimo, entre a racionalidade da retórica e a experiência do bom-senso, entre os limites da lei e as fronteiras do equilíbrio, entre as definições da constituição federal e as determinações do bom juízo da consciência.
Às vezes não compreendo as decisões da justiça comum perante os conflitos gerados pela sociedade, optando ela quase sempre por alternativas que revelam a relatividade das coisas e o ceticismo do conhecimento, sem falar na falta de transparência ética e na ausência de uma espiritualidade natural firme e forte que possa dar contra dos vazios da existência e das carências das anomalias humanas.
A Justiça busca resolver distúrbios e solucionar conflitos baseando-se na legislação em vigor, mas conheço casos específicos como por exemplo “o crime do menino João Roberto Amorim na Tijuca”, “os bebês anencéfalos”, “o assassinato de Daniela Perez”, “o julgamento de Eurico Miranda, ex-presidente do Vasco da Gama”, “o filho de Cássia Eller” e outros onde prevaleceu não a lei todavia a interpretação da lei, para a qual contribuem efetivamente os valores e as virtudes do juiz, o seu repertório cultural, a sua educação familiar, as suas crenças religiosas e as suas ideologias políticas, o seu poder de magistrado e as pressões da opinião pública, os interesses particulares e as intenções obscuras que nem sempre são descobertas.
Ignora-se na verdade o grande princípio do direito: o direito de ser direito.
Diante das relatividades da justiça e das arbitrariedades de suas autoridades competentes, procuro abrigar-me no bem que faço e na paz que eu vivo, no respeito que ofereço às pessoas e na responsabilidade de meus atos, no bom-senso da minha consciência e no equilíbrio da minha existência, na liberdade que me faz tender para a felicidade pessoal e social.
Mais importante que a justiça das instituições, creio eu, é o direito de ser direito, que inúmeras vezes os tribunais não querem reconhecer.
Prefiro a bondade e a amizade dos meus relacionamentos com as pessoas do que a violência da justiça e as confusões de seus julgamentos e as complicações de suas sentenças e decisões.
A Justiça tem o seu valor, é óbvio.
Todavia, não gosto da ausência do direito em suas prerrogativas.
Ela usa o direito, mas não age direito.
Seus princípios são corretos, entretanto sua prática falta com a verdade da boa consciência, a transparência da boa ética e a autenticidade da boa natureza humana.
O Direito está ausente.
Prega-se a justiça, porém se excluem a clareza da razão, a lucidez da inteligência, a moralidade dos comportamentos e a pureza dos bons relacionamentos.
Os julgamentos certas vezes parecem confusos, o discernimento não existe, os conhecimentos falham, as atitudes são desequilibradas e o perfeito juízo não está presente.
Então, os tribunais se tornam violentos e os juízes agressivos.
Tenho predileção pelo direito de ser bom, de fazer o bem, de viver em paz com as pessoas, ao invés de criticá-las e só discordar delas.
Gosto das pessoas direitas e não dos indivíduos justos.
Justiça talvez tenha um compromisso com a violência.
Prefiro o direito de ser bom, de fazer o bem e de viver em paz com as pessoas.
Falta isso na justiça.
Falta-lhe a bondade do direito e a concórdia da verdade.
Falta-lhe justamente o direito de ser direito.
Dizem que Deus é justo.
Eu acho que não.
O Senhor é direito, isso sim.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
História das Diferenças
História das Diferenças
Nos primórdios da cultura ocidental, a PAIDÉIA, modelo de educação e formação do homem grego, se propunha a ordenar o caos das sociedades então espalhadas pelos continentes ora conhecidos, disciplinar a confusão de culturas e tradições, costumes e mentalidades, que se chocavam umas com as outras, e organizar os seus valores éticos e espirituais, as suas normas sociais, culturais e ambientais, os seus princípios de mente, de corpo e de espírito, e suas raízes históricas e geográficas, seus contextos cotidianos e seus ambientes de realidade carregada das controvérsias humanas e naturais, de conflitos entre pessoas, de dificuldades entre grupos e indivíduos e seu convívio nas ruas e em casas, nas famílias e nos trabalhos, nos campos e nas cidades, de problemas, novidades e diferenças de comportamento, de consciência individual e coletiva, de experiências de contrários e das adversidades que a própria vida nos coloca, visto que a condição humana estabelece limites à natureza e consolida fronteiras ao universo sem limitações físicas, pois o espaço é sem fim, o tempo é eterno e a história convive com suas finitudes materiais ao mesmo tempo que apela para as infinitudes do pensamento além, longe das definições do conhecimento possível e distante das determinações morais e religiosas, científicas e tecnológicas, artísticas e filosóficas, impostas por nossa existência de bloqueios psicológicos e de barreiras ideológicas, para depois, mais tarde, racionalizar todo esse repertório de interpretações gerais, tornar inteligíveis os processos de obtenção do saber, e gerir intencionalmente os destinos da espécie humana e seus contatos e efeitos na realidade de cada dia e de toda noite, e das madrugadas experimentadas pelo conjunto da humanidade. Observa-se aqui e agora que a racionalidade combate a desrazão, o bom-senso luta contra a insensatez e o nosso juizo das coisas batalha enfrentando as oposições de uma mente provavelmente desequilibrada, transtornada em si mesma, e cheia de distúrbios oriundos de uma irracionalidade sem fundamentos e de uma irrealidade sem sustentação na consciência dos homens e das mulheres que fazem a história e encaminham para si e os outros as metas de seus caprichos e os objetivos de seus arbítrios vestidos talvez de uma inteligência produtora de conteúdos sensatos, em nome da razão projetora e planejadora de idéias e ideologias, símbolos e imagens, valores e princípios, sons e linguagens de vídeo e de cinema. É nesse clima de interpretações paradoxas que se faz a história da humanidade.
O Processo Crítico e Dialético da Formação da Consciência do Homem e da Mulher na História da Humanidade
A Vida é feita de diferenças. No decorrer da história, desde o tempo antigo até os dias atuais, o sujeito sempre contracenou com o objeto, a luz com as trevas, o feijão com o arroz, a realidade com a racionalidade, a essência com a aparência, a paz com a violência, o amor com o ódio, a vida com a morte, o certo com o errado, o bem com o mal, o direito com a falsidade, o vício com a virtude, a ordem com o caos, o homem com a mulher, o boi com a vaca, a flor com o fruto, o oxigênio com o gás carbônico, Deus com o diabo, a noite com o dia, o verão com o inverno, o novo com o antigo e assim por diante. As diferenças nos uniam e nos separavam, nos assemelhavam e nos contradiziam uns com os outros. Tudo sempre foi diferença. Todos sempre foram novidades que surgiam, contrários que nos dividiam, surpresas que nos maravilhavam, adversidades que nos dialetizavam, contradições que isolavam a bondade da maldade, o preto do branco, o galo da galinha, a graça do pecado, o fino do grosso, o grande do pequeno, o maior do menor, a presença da ausência, o cheio do vazio, o tudo do nada, o absoluto do relativo, o necessário do contingente, a substância do acidente, sempre refletindo para todos nós, habitantes do Planeta Globo, que a natureza e o universo, a existência humana e divina, viviam de contrários, ou de detalhes diferentes, de coisas miúdas em contraste com seres graúdos, até que assim compreendêssemos a realidade cotidiana como ela é, sempre foi e assim o será eternamente. Sim, não somos iguais, mas diferentes. E a história da consciência humana sempre revelou essa alteridade de princípios e contrariedade de valores, que juntos ou separados passaram a constituir o conhecimento para o qual o pensamento se une à realidade, desnudando pois a verdade das idéias concebidas em contato com a experiência cotidiana. Justamente essa transparência do contexto real e atual em que vivemos hoje, aqui e agora, faz-nos entender que a realidade vivida é construida a partir das diferenças conscientemente adquiridas, ambientalmente praticadas e eticamente possuidas, originando pois as relações humanas e sociais, a interatividade de comunidades e o compartilhamento de conteúdos físicos, mentais e espirituais. Nesse intercâmbio de atividades comuns, os relacionamentos se aproximam ou não, as atitudes se convergem ou não, e as experiências se fazem concordantes ou assumem um compromisso com a violência das ações e a agressividade de comportamentos várias vezes insensatos e desequilibrados, aumentando ainda mais o abismo entre as partes opostas, causando mal estar nas sociedades divididas pelo erro de seus agentes comunitários que deveriam antes construir do que destruir, criar condições de liberdade ou situações de felicidade e não simplesmente produzir a escravidão patológica ou a prisão de consciências subordinadas umas às outras. Em tal estado dialético de posições, gera-se a realidade e produz-se o cotidiano. A História é dialética.
Fundamentos da Interpretação
A Realidade é única. Todavia, a interpretação da realidade é variada, múltipla e polivalente. Sua hermenêutica mostra que os pontos de vista das pessoas podem convergir ou se distanciar, concordar ou se afastar, o que significa que a vida é relação, relação de opostos, de contrários que produzem a economia dos povos e a riqueza ou pobreza das nações, sua cultura excelente ou miserável, sua política de alternativas diversas, suas sociedades articuladas em instituições e entidades governamentais ou não, propriedades privadas ou organizações públicas, sociais e coletivas, seus negócios produzidos com austeridade absoluta ou com a relatividade das ações morais, seu complexo de arte, lazer e esporte, e demais atividades recreativas, geradas tendo em vista a saúde dos indivíduos e o bem-comum das comunidades e o bem-estar geral da humanidade. Assim funciona a realidade cotidiana. Seu fluxo de possibilidades é dinâmico e ativo, seu complexo de boas tendências segue a lógica do progresso econômico e financeiro, a emergência social, cultural e ambiental, a emancipação ética, política e espiritual, o desenvolvimento dos recursos que satisfazem os nossos desejos naturais e realizam as nossas necessidades humanas, a evolução da consciência segundo a viabilidade da produção de conteúdos de conhecimento de qualidade, de experiências de crescimento em valores positivos, princípios de vida estáveis, normas sociais consistentes e raizes existenciais seguras que possam garantir a magnitude de uma vida onde seus direitos sejam compreendidos e respeitados, e seus deveres e obrigações, compromissos e responsabilidades cumpridos com sabedoria de vida de quem luta paraser alguém na vida, e fazer da liberdade a sua condição de felicidade. Esses fenômenos interpretativos demonstram que a consciência humana evolui hermeneuticamente, de acordo com os contextos reais e atuais do tempo e da história e segundo os parâmetros transcendentais de sua realidade em si, de si, por si e para si. Somos pontos de vista diferentes e até contrários, semelhantes ou antagônicos, construtores dos símbolos da história de todos os tempos e lugares, organizadores do cotidiano que vivemos, disciplinadores de nossa racionalidade real e ordenadores da vida praticada em sociedade. Somos intérpretes de uma realidade em mudança, que se transforma para melhor ou pior, dependendo da metamorfose operada em nossa consciência de valores bem ou mal orientados e de princípios bem ou mal vividos. Depende de nós o progresso. Depende fundamentalmente do Fundamento de nós o destino bom de nossas vidas materiais e espirituais.
As Sínteses transformam a realidade
Recordo-me de Hegel, filósofo da era moderna, contemporâneo de Karl Marx e Engels, fundadores do Partido Comunista de 1848, em plena crise industrial na Inglaterra, que dissera então que a vida é uma dialética, que se inicia com uma Tese, contraposta por uma Antítese, que, ao final das contas, seria resumida por uma Síntese, fenômenos da realidade cotidiana, que constituem os fatos históricos, determinam o comportamento das sociedades, interferem na iniciativa de grupos e indivíduos que se relacionam e mantêm atitudes de convívio social e político, econômico e cultural, definem suas consciências e seus conteúdos em forma de conhecimento, ética e espiritualidade, intervêm no destino dos povos, no presente e futuro da natureza e do universo, e estabelecem a lógica do cotidiano cujo sentido é o movimento de contradições internas que fazem os acontecimentos da vida de cada hora, de todo momento e de alguns instantes. Sim, somos dialéticos. Eis o que torna possível as diferenças da realidade e os detalhes do cotidiano. Eis o que mobiliza a infra-estrutura das nações e seus efeitos econômicos, científicos, políticos e tecnológicos, sociais e culturais, configurando assim a racionalidade das comunidades que compõem as localidadese regionalidades, e globalidades, em que se insere o conjunto da humanidade. Com efeito, sintetizados nossas ações a cada minuto, e as transformamos em novas e diferentes teses e antíteses, que, por sua vez, serão outras sínteses a mais, o que reflete o dinamismo do cotidiano, seus opostos que interagem, seus contrários que se contagiam uns aos outros, englobando em si idéias e ideais em conflito, ideologias e partidos em oposição, simbologias e imagens problemáticas, princípios e valores que se chocam para produzir melhorias no ambiente vivido ou condições piores ainda de sobrevivência. É onde surgem as atitudes ecléticas que de tudo e em todos retiram sempre algo de bom e que certamente fará bem ao contexto temporal das sociedades, então globalizadas, que realizam intercâmbios culturais, que efetizam entre si o troca-troca de idéias e conhecimentos, que inventam posturas éticas complicadas ou geram posições espiritualizadas em acordo com a saúde do Planeta e o bem-estar das populações mundiais. Sim, a tendência, diante de toda essa panafernália dialética. É que sejamos ecléticos. Talvez sejamos ecléticos por natureza.
A Essência do Cotidiano
A Experiência do dia a dia da nossa vida nos revela que os fenômenos da realidade cotidiana estão permanentemente em choque produzindo conflitos e aberrações em que o bem e o mal se debatem, duelam um com o outro, se confrontam mutuamente, disputando um lugar ao sol, um jeito diferente de se fazerem presentes na vida da humanidade e seu ambiente de família e trabalho, de rua e supermercado, de restaurante e shopping, de convívio social e cultural, político e econômico. De fato, a contradição é a marca registrada da vida cotidiana. Nela, a paz das pessoas combate com a violência das ruas, o bem que se faz batalha contra a cultura da morte e da maldade, os apelos de vida em abundância fazem uma guerra constante em face da pobreza e da miséria de muitos, o amor de grupos e indivíduos e suas práticas generosas de fraternidade e solidariedade lutam contrariando as forças do ódio e do egoísmo e da mentalidade que prega a prisão ideológica e a escravidão psicológica das pessoas, o direito e o respeito contradizem as experiências de hipocrisia, falsidade e ausência de transparência ética e espiritual, a ordem e a justiça social controlam a confusão das consciências e as adversidades da experiência diária e noturna, o desejo de liberdade que aumenta as oportunidades de vida e dilata as possibilidades de trabalho contrapõe-se às limitações físicas, mentais e espirituais dos seres humanos, a busca da felicidade pessoal e coletiva parece dominar os contrários de quem faz da tristeza e da angústia, do medo e do pânico, da aflição e do desespero as suas únicas alternativas de existência e quem sabe as respostas mais reais e atuais do povo das ruas e das famílias em casa na sua procura por ser alguém no meio da sociedade, a saúde individual e o bem-estar das gentes aspiram por superar as doenças biológicas, as moléstias sociais e as enfermidades materiais e espirituais, cultivando a bondade que constrói e criando novas e diferentes opções de bem viver a vida em comunidade, e assim por diante. Eis pois o cotidiano, ferido pelas balas perdidas de policiais duelando com bandidos, machucado pelos assaltos a banco promovidos por traficantes, adoecido pelos seqüestros-relâmpagos de pessoas de bem e trabalhadoras, cego pelo tráfico de drogas e a corrupção moral de grande parte da coletividade, e escravo da violência que mata e da agressividade que ignora o bem alheio e a sua paz tão indispensável, a calma da sua alma e a sua tranqüilidade espiritual. Assim é o contexto real e atual, temporal e histórico da realidade de cada dia vivida por nós aqui e agora. Eis então que surge alguém que decide mexer nessa máquina de produzir contradições, intervir em seu processo enlouquecedor das consciências e interferir a favor do bem ou do mal tendo em vista gerar o movimento em prol ou não do bem-estar da humanidade e do bem-comum da sociedade, para isso escolhendo o caminho da liberdade que constrói a verdadeira felicidade das pessoas diminuindo os riscos de uma experiência negativa e pessimista de quem faz da maldade o sentido da sua vida e da violência a razão do seu existir. Sim, a realidade está aí, aqui e ali querendo de nós uma decisiva intervenção capaz ou de melhorar as suas condições e relações de vida e trabalho, saúde e educação, ou de piorar as suas situações dialéticas de vida e as suas circunstâncias críticas de existência, deixando pois por nossa conta o caminho da felicidade ou não da sociedade em que vivemos neste mundo em mudança contínua e em processo aberto de construção de novas e diferentes possibilidades de progresso material e espiritual, e de evolução física e mental. A Opção é nossa. Cabe a nós interferir bem ou não nesse processo. Os resultados de nossas escolhas decidirão o destino do cotidiano das pessoas com quem compartilhamos os direitos e deveres de cidadania no interior dessa sociedade complexa cujo fluxo de experiências negativas e positivas, pessimistas e otimistas, devem nos fazer refletir e decidir pelo melhor caminho de vida, a boa via da salvação e a estrada libertadora de nossas misérias sociais e culturais. Só depende de nós crescer ou não. Que Deus nos ajude a encontrar a melhor solução nesse caso. Ou o caminho do desenvolvimento sustentável. Ou o atraso e o regresso de uma ética comprometida com a cultura da morte e a mentalidade da violência e da maldade. Que Deus nos oriente nessa hora.
A Vida é uma Dialética
Muitas vezes em nossa vida diária através de uma idéia que surge em nossa mente construímos um mundo de possibilidades para a nossa existência, criamos novas realidades e diferentes experiências, produzimos ricos conteúdos de conhecimento de qualidade, como em um processo TESE – ANTÍTESE – SÍNTESE, que denominamos de movimento dialético, onde um fenômeno que acontece no cotidiano é contraposto por outro, e este por sua vez sofre uma diversa contradição gerando então um fenômeno agora transformado, resumo dos contrários que o antecederam, produto das adversidades que o geraram. Assim é a vida de cada dia e de cada noite. Vivemos por meio de contradições, que se guerreiam umas com as outras, gerando novos contrários e diferentes realidades contraditórias cuja síntese é um perfeito universo de experiências que tendem para o bem que fazemos e para a paz que vivemos, visto que a nossa natureza é boa originalmente, porque vem de Deus, e tudo o que ela cria e propaga caminha para a nossa felicidade e bem-estar, desenvolvendo em nós, de nós e para nós, e por nós, a boa liberdade que se identifica com o direito e o respeito vividos, a responsabilidade em nossas atitudes e relacionamentos, o juízo e o bom-senso em nossas atividades, o nosso equilíbrio mental e emocional, o controle da nossa cabeça e o domínio de nós mesmos.. Portanto, através de contradições sempre novas e diferentes vamos construindo a vida, articulando outras realidades e condicionando diversas experiências fecundas e profundas, sempre nesse processo dialético em que uma palavra produz palavras que se contrariam que por seu lado geram outras palavras que se contradizem, permitindo ao final a síntese de uma ótima ideologia transformadora, que então modifica para melhor os nossos ambientes de vida, metamorfoseando o nosso cotidiano, dando-nos pois a possibilidade de uma vivência mais ordeira e pacífica, mais fraterna e solidária, mais livre e feliz, mais saudável e agradável. Viver portanto é contradizer e contradizer-se, o que nos propicia novas atitudes perante a realidade, diferentes olhares sobre o cotidiano, outras posturas sociais diante dos problemas, gerando-nos uma vida de possibilidades múltiplas e de alternativas diversas, mais rica em conteúdo e mais perfeita na sua experiência de cada instante. Somos dialéticos. Por meio da dialética, o mundo se desenvolve, a vida se processa, a realidade progride, o ambiente evolui, e crescem as nossas melhorias sempre mais abertas e libertas, renovadas e restauradas, recuperadas e regeneradas, em um movimento perene de grandes descobertas que se concretizam e de gigantescas revelações que nos surpreendem a todo momento. Dialetizando, a vida se constrói. Ficamos mais ricos. Nos tornamos mais perfeitos. Aumenta a nossa qualidade de existência. Superamos limites. Ultrapassamos obstáculos. Transcendemos as barreiras dos preconceitos mentais e das superstições religiosas. Vivemos então a excelência de uma realidade humana, naturalmente constituída e culturalmente desenvolvida. Metamorfoseamos assim as nossas experiências e situações diurnas e noturnas. Nos transformamos para melhor. De bem com a vida e em paz conosco mesmo, vamos gerando novas dialéticas e fazendo das contradições presentes que aqui e agora se processam pontes para a felicidade, ferramentas de renovação interior e exterior e instrumentos de libertação material e espiritual, física e mental. Que Deus abençoe pois as nossas dialéticas cotidianas.
A Pedagogia das Possibilidades
Parece que a vida e a história, seus fatos do dia a dia e seus acontecimentos de cada instante e de todo momento, refletem a Pedagogia Humana e sua busca por novas alternativas de aprendizagem e constituição de idéias e conhecimentos e diferentes possibilidades de ação e intervenção no mundo social e político, econômico e cultural, científico e tecnológico, artístico e filosófico, moral e religioso, recreativo e esportivo, de tal forma que nesse processo interativo e de compartilhamento de conteúdos de saber e de poder, outros intercâmbios se realizam, grandes criações se fazem e diversas produções de linguagem, de culturas polivalentes e mentalidades múltiplas se multiplicam somando-se ao tradicionmal repertório de discutidos obtidos até aqui e agora, o que viabiliza a construção positiva e otimista da caminhada temporal de gigantescas interferências noi destino dos povos, definindo suas atitudes no meio em que vivem e determinando suas atividades no contexto de suas experiências de geração de boa saúde social e institucional e bem-estar das nações emergentes, desenvolvidas e em vias de progresso material e espiritual. Assim caminha a história. Os homens e as mulheres constroem na realidade diária e noturna um universo de boas tendências, de alternativas novas de evolução física, mental e espiritual, e de possibilidades diferentes todavia geradoras de qualidade de vida para as suas sociedades e demais comunidades locais, regionais e globais, além de enriquecer seu campo de produção de princípios nobres e de valores excelentes, capazes de oferecer à consciência humana uma luz orientadora das suas práticas virtuosas em seu dia a dia, que ainda lhe favorece com os benepláticos de Deus, o Autor da Vida e Senhor da História, ajudando-se ao crescimento ordenado, disciplinado e organizado de toda estrutura humana e seu sistema de créditos sem fim, de benefícios cada vez maiores e melhores que o progresso lhe dá, e que são constituintes da ótima fase que atravessa sempre o processo evolutivo da humanidade. Somos possibilidades. Somos alternativas de movimento construtor de conteúdos ricos para uma humanidade sempre esperançosa por dias melhores para a sua gente, os quais revelam o bom espírito que conduz o desenvolvimento sustentável que caracteriza a caminhada humana até aqui e agora. Consolidar essa realidade positiva é tarefa responsável dos trabalhadores que fazem a diferença na história, constroem a sua estrada de possibilidades novas e diferentes. Deste modo, evolui a cultura humana e progride a sua mentalidade natural e cultural. Produzem-se assim as diferenças do tempo que geram o progresso da história. Nas diferenças, evoluimos.
A Construção das Tendências
As interferências dos agentes humanos dentro da realidade determinam as tendências boas ou más do presente e futuro da humanidade, tendo em vista que esse processo de construção das tendências, alternativas e possibilidades da história dos homens e das mulheres obedecem aos princípios de uma consciência bem ou mal conduzida, aos valores de uma racionalidade bem ou mal orientada, às normas pessoais e sociais de uma inteligência bem ou mal articulada e às raizes éticas, cognitivas e espirituais que definem a boa ou má conduta dos seres humanos e as consequências de suas práticas reais ou irreais, racionais ou irracionais, conscientes ou inconscientes no contexto social do tempo e dos ambientes históricos onde intervêm as luzes da subjetividade e as forças de uma objetividade identificadas com a saúde de suas comunidades e o bem-estar de seus povos. Nessa direção, caminham os processos humanos que fazem a história evolutiva do conjunto das sociedades, constituindo a sua mobilidade ambiental e articulando o destino de seus movimentos culturais e políticos, suas emergências sociais e econômicas e suas emancipações éticas e espirituais. Em tal caminhada construtora de boas perspectivas de progresso, o tempo se cria e a história se faz, a realidade produz e se produz e o cotidiano fica feliz observando o otimismo das pessoas que circulam nas ruas, que vão e voltam do trabalho, que beijam e abraçam diariamente suas famílias, que se relacionam em botequins e supermercados, que fazem intercâmbios culturais em modo de amizades que se ajudam umas às outras, que interagem em restaurantes e shoppings, que compartilham seus conteúdos e experiências de ser e ter, de saber e poder. De fato, as tendências da história, boas ou más, reverenciam a boa ou péssima orientação de seus ideais, articulados pelos homens e mulheres, que mexem com as metas e os resultados de seus comportamentos sociais, de suas relações interativas e de suas posturas mentais e posições psicológicas, responsáveis pelo destino dos fatos e pelas consequências que os acontecimentos determinam aqui e agora. Conscientemente ou não as pessoas, grupos e indivíduos ditam e interferem nas regras do tempo e nas raizes dos fenômenos históricos, direcionando as suas experiências, definindo os seus objetivos e produzindo seus efeitos na realidade cotidiana. Assim, real ou imaginariamente, se pode intervir no destino dos povos, criar as condições boas ou más de suas atividades, determinar a sua conduta no ambiente vivido, dirigir o seu comportar-se na sociedade e definir as suas ações burras ou inteligências que fazem os fatos ocorrrerem positiva ou negativamente. Por isso mesmo, ora convivemos no dia a dia com a violência das balas perdidas e a agressividade de cidadãos transtornados por distúrbios de sua consciência ora assistimos o bem que as pessoas fazem e a paz e a concórdia em que elas vivem, a fraternidade das gentes e sua solidariedade com os problemas, conflitos e dificuldades de muitas comunidades em situações de risco ou inseguras com a instabilidade das ruas, a contradição de polícias e bandidos, a discordância de opiniões contrárias e a divergência de pontos de vista que, em choque, estragam o bom convívio social e destroem amizades antigas ou amores passados, relações outrora sinceras e honestas e interatividades anteriormente bem articuladas e bem orientadas. Tendências constroem os acontecimentos. Tendemos para o bem ou para o mal.
Superação de limites
Ao se debruçar sobre a realidade cotidiana a inteligência humana a interpreta e assim acontece a história. Nesse contexto hermenêutico de pontos de vista construidos com fundamentação, os travamentos ocorrem com frequência, os preconceitos aparecem para bloquear a consciência e as superstições se acham no direito de penetrar na racionalidade da vida, constituindo pois um universo de representações mentais identificadas com as tradições dos homens, seus costumes morais e seus exercícios espirituais, seus ambientais sociais e políticos muitas vezes ultrapassados, seus meios econômicos e financeiros já superados e suas vias culturais então sofrendo com as barreiras do imaginário transformado em transtornos físicos e mentais e distúrbios de ordem psicológicae ideológica, material e espiritual. Diante desses impecilhos mentais, a racionalidade humana procura superar tais limites da representação, interferindo nas possibilidades do dia a dia e intervindo em seu destino social, definindo pois as regras de conduta das sociedades de aqui e agora e determinando as suas práticas e experiências no contato que os cidadãos fazem uns com os outros, mexendo portanto com o convívio das comunidades cujo fim pode ser a boa saúde individual e coletiva ou o mal-estar pessoal e grupal, tendo em vista que os princípios e valores que viabilizam a boa ou má orientação dos sujeitos que acontecem na realidade, podem ou não estar desvirtuados de suas funções, ignorar suas metas e resultados, e se tornar indiferentes aos objetivos reais e atuais a que se propõe quando buscar apropriar-se de seu campo de idéias transformadas em realidade, de ideologias e culturas que se mudam em cotidiano, de mentalidades que se convertem para o dia a dia das pessoas que vivem e convivem em sociedade neste mundo em que vivemos. Pois bem. Enquanto os fenômenos da realidade acontecem, a consciência humana produz a história, a partir das diferenças constituidas em sua racionalidade e que interferem ou não no destino dos povos e no bem-estar da humanidade. Ao superar esses limites da razão, o homem e a mulher intervêm no processo histórico da realidade, transformam ou não o cotidiano para melhor, produzem uma verdadeira metamorfose de transparências, que definem o curso das experiências e condicionam o destino das nações. Na transcendência de palavras gastas e de paradigmas insuficientes, de idéias que não servem mais e de símbolos e imagens aparentemente inúteis e sem função mental e social, se gera a história, a história das interpretações que visam entender e interferir no processo comportamental da realidade cotidiana. Assim ocorre a história. Feita de diferenças. Diferenças interpretadas. Todavia, que definem a realidade e determinam nossas atitudes conscientes ou não, subjetivas e objetivas.
Ultrapassar as fronteiras da razão
Dentro de um contexto social, político e econômico onde os temporais da vida e as tempestades da existência são seguidos pela bonança dos tempos e as temperanças da história, a racionalidade produz a vida e a realidade superando seus próprios preconceitos e superstições, ultrapassando os limites da consciência e da experiência e transcendendo as fronteiras de uma inteligência que às vezes se deixa aprisionar pelas definições das palavras e pelos determinismos de culturas e mentalidades ainda escravas de gerações passadas, de costumes e tradições ultrapassadas, de vivências sujeitas à linguagem gasta, padrões de vida que não valem mais, estigmas sociais velhos e que não estão disponíveis mais para solucionar os grandes problemas da humanidade como a sexualidade, a ideologia política, a emergência social de comunidades, a emancipação ética e espiritual de povos inteiros, o trafico de drogas e entorpecentes, o desemprego, a fome e a miséria, a violência e a migração urbana e rural, os conflitos familiares, as doenças incuráveis como o câncer e a aids, os distúrbios mentais e emocionais de grupos e indivíduos, o analfabetismo das imensas massas populares locais, regionais e globais, a má educação, saúde insuficiente e transporte ineficaz, enfim, tais fronteiras do campo da realidade cotidiana, e do conhecimento e da ética, e da espiritualidade, fazem com que a razão humana busque a diferença geradora de novas alternativas e diversas possibilidades de solução para tais dificuldades, turbulências e enfermidades da vida dos campos e das cidades. Procurar a diferença torna possível a superação desses limites, faz o progresso avançar e o equilíbrio dos povos e nações se torna mais alegre e otimista, viabilizando para todos e cada um uma opção de desenvolvimento sustentável capaz de fazer evoluir a estrutura ecológica do Planeta e suas oportunidades de crescimento social, cultural e ambiental em todos os sentidos da realidade humana e natural. Nesse desejo por diferenças e novidades, mudanças e metamorfoses culturais está a chave do sucesso das sociedades e o segredo da felicidade de sua gente. Precisamos sempre fazer a diferença. O Novo nos espera.
Transcender as experiências vividas
No cotidiano, as pessoas optam por novidades e diferenças, que superam as experiências, costumes e tradições vividas até aqui, transportando-se para situações originais e circunstâncias profundas, manifestando-se assim como a realidade é construida, a partir de princípios estabelecidos e consolidados com o tempo, e de valores éticos e espirituais, orientadores de suas práticas sociais e políticas, condutores de suas economias, culturas e mentalidades, o que significa que através desses fenômenos mentais e emocionais intervêm na história humana, tornam o progresso viável para quase todos, caminham sempre que possível equilibrados e otimistas, pois este é o motor da finitude, encaminhador do desenvolvimento de grupos e indivíduos, comunidades e sociedades, povos e nações, transformando para melhor assim nossos cotidianos de vida e existência, interferindo para o bem e a paz dessa gente, definidor de sua história, gestor de seus empreendimentos, administrador de seus empenhos e esforços por um universo mais livre e feliz. Deste modo, crescem os cidadãos e cidadãs do mundo inteiro, e fazem portanto evoluir as suas consciências e experiências de bem e de paz. A História é evolutiva. Não anda para trás nem para baixo. Ao contrário, vai sempre em frente e para cima, cada vez com mais dignidade humana e qualidade de vida, na luta por seus direitos e no cumprimento de seus deveres e obrigações, compromissos e responsabilidades. Desta maneira, gera condições sociais elevadas para suas populações, uma política de valores agregados que só fazem o bem às suas sociedades, uma economia de desenvolvimento onde sobressaem grande quantidade e qualidade de empregos e trabalhos, e a produção de culturas alternativas, de possibilidades de auto-estima para todos e de oportunidades de subida dos degraus positivos das tendências que a humanidade tem de construir ambientes de paz e de concórdia, e contextos de bem e de bondade para todos e cada um. A Força do Bem constrói a história e o Poder da Paz equilibra as realidades e define os seus cotidianos. Assim se processa a conjuntura da humanidade. O Otimismo, o sorriso e a alegria nos empurram para adiante. O Bem faz a história ainda que o mal algumas vezes seja o senhor das situações.
A Lógica do Cotidiano
A Realidade do dia a dia, plena de conflitos e dificuldades, problemas e turbulências, violências e contrariedades, também tem lugar para a bondade das pessoas, a ordem da sociedade, a paz dos espíritos, a disciplina das mentes, a calma dos indivíduos, a organização das idéias e a tranqüilidade das experiências de amor e vida, geradoras de atitudes fraternas e comportamentos solidários, produtoras de amigos e construidoras de ações generosas em favor das comunidades e grupos que fazem a humanidade.
Parece que há uma ordem no cotidiano.
Uma lógica do concreto.
Uma racionalidade prática.
Em outras palavras, o bem convive com o mal, depois das tempestades vêm as bonanças, após as contradições surgem a harmonia da natureza e a sintonia do universo, o caos cede lugar à ordem, as instabilidades diárias e noturnas caminham juntas com a convergência dos pensamentos, a estabilidade da política, o otimismo da economia, o equilíbrio social e o bom-senso produtor de culturas de bem com a vida e de mentalidades cuja consciência aprova a saúde dos homens e das mulheres e o bem-estar das coletividades.
De fato, existe uma lógica na experiência cotidiana.
Momentos de confusão mental e social convivem com instantes de tranqüilidade das consciências positivas.
Situações de fome, miséria, desemprego e desgraça alheias estão ao lado da riqueza da minoria, da beleza das mulheres e da grandeza da criação de Deus.
São circunstâncias indefinidas, essas que compõem o estado de vida da sociedade em que nos encontramos.
Uma realidade indeterminada, que aceita a ordem do bem e a paz das racionalidades e dos corações ao mesmo tempo que tolera a agressividade da maioria, a intolerância religiosa, o preconceito racista, a ignorância de muitos e a pobreza de grandes populações.
Convivemos com o bem das idéias que constroem e com o mal das violências que destroem a vida, o ser e a existência.
Em torno de nós, o sorriso das crianças e a bandidagem que rouba e assalta no dia a dia da nossa vida.
Ao nosso lado, a sabedoria e a experiência dos mais velhos e a corrupção das drogas e a irreverência dos traficantes e marginais de nossos morros e favelas.
Em nosso entorno, a alegria e o entusiasmo dos jovens que namoram e paqueram as suas garotas e a falta de respeito aos homens direitos e responsáveis e às mulheres bonitas que dão sentido à vida e razão à existência.
Em nossa estrada cotidiana, o conflito das ruas, a bagunça dos meninos que brincam, a seriedade dos homens que trabalham, o sorriso das donas de casa e mães de família, a turbulência dos supermercados, os debates no jornaleiro, o bate-papo no botequim, o aperto de mão na padaria, a compra de remédios na farmácia, a conversa com o patrão, o beijo nas garotas e o abraço dos amigos.
Essa a lógica do dia a dia.
Onde tudo é indefinido.
Onde todos se encontram misturados com o amor e o ódio.
Onde a vida desordenada respeita a disciplina da racionalidade que organiza todas as coisas.
Onde o reino da instabilidade aceita o império da ordem do ser, pensar e existir.
Tem lugar até para Deus.
O Fundamento de todos os fundamentos.
Tal a ordem do concreto.
A Lógica do cotidiano.
A Organização das experiências e dos conhecimentos possíveis, e dos sentimentos prováveis e das atitudes cheias de respeito e equilíbrio.
Eis o cotidiano.
E sua lógica de tendências convergentes e de possibilidades que se distanciam.
É a realidade do dia a dia.
Na escola, o estudo e as brigas de colegas de turmas diferentes.
No hospital, o doente que sofre e o médico que não comparece ao trabalho.
Na igreja, o padre que celebra a missa e o povo que xinga o sacerdote que cobra um dízimo alto da assembléia dos fiéis.
Na empresa, o chefe que manda embora o seu funcionário bastante competente.
Na indústria, a disponibilidade dos empregados e a ausência de respeito dos donos da fábrica.
No comércio, a falta de boas condições de trabalho e o péssimo salário dos trabalhadores.
Na família, a boa educação dos pais e os filhos e filhas que os ignoram e são indiferentes diante dos bons conselhos da mãe e da firme disciplina do pai.
Em tudo, pois, a contradição das circunstâncias, a dialética das consciências e a crítica a quem não reconhece os direitos humanos de quem quer que seja.
Em todos, o respeito e a irreverência, o compromisso e a preguiça, o trabalho e a violência, a ordem e a turbulência, a paz e a confusão, a bondade e a agressividade.
O Cotidiano aceita tudo e respeita a todos.
Compreende a maioria e tolera a minoria.
Nele, o bem e o mal.
Qual a sua opção ?
Tal a sua lógica concreta.
Qual a sua escolha ?
Essa a sua vida real e atual.
Qual a sua alternativa ?
A Articulação da Linguagem
Sabe-se atualmente que história é interpretação, e, portanto, diversificada, embora a realidade dos fatos seja única e absoluta. Igualmente, interpretar alguma coisa ou acontecimento exige o uso de imagens sobre esse cotidiano, que se transformam quase sempre na linguagem das palavras, dos sons e dos vídeos convertidos em rádio, cinema e televisão, jornal e revista, livro e periódico. Tal linguagem interpretativa da estrutura real e atual do contexto temporal cotidiano deve ser articulada, a fim de favorecer pontos de vista novos e diferentes de diversos historiadsores, visões da realidade e da sociedade bastante variadas, olhares sobre o mundo e suas ocorrências muito profundas, possibilitando assim uma reflexão positiva sobre os elementos constituintes da história que se faz aqui e agora, do passado para o futuro passando pelo presente. Esse jogo de palavras e símbolos, que fazem a linguagem interpretativa dos fatos, é um fenômeno da consciência real, racionalizadora das experiências vividas e apreendedora das possibilidades concretas desses ambientes temporais, caracterizando pois a história humana como uma natural reflexão acerca da realidade, tornando a escrita e outras expressões linguísticas a essência mesmo da temporalidade, a lógica correta da finitude e a abstração inteligente das ocorrências políticas e sociais, culturais e financeiras, metamorfoseadas então em história. Sendo assim, o fato histórico, apesar do seu realismo inegável, só é entendido como acontecimento temporal quando abstraido pela racionalidade que o muda em instrumento de comunicação para todos e cada um ou em ferramenta de apreensão de suas ambiências factuais e contextos práticos. Logo, as experiências históricas, embora reais e atuais, só podem ser inteligíveis quando a consciência humana racionaliza a sua potencialidade temporal, seus graus de finitude mundana e seus ambientes de cultura em geral interagida e compartilhada entre todos a partir de conteúdos de conhecimento de qualidade, que são os significantes responsáveis pelo significado da história. Em outras palavras, a história é discurso, não só realidade. A História é palavra, não apenas fato. A História é a imagem consciente que fazemos dos acontecimentos mudada muitas vezes em escrita, ou som, ou vídeo, ou fotografia. A História não é apenas prática, é igualmente imagem.
A Negociação dos Detalhes
É importante sempre enfatizar que a história que construimos é mais interpretação do que realidade, é mais racionalidade do que experiência, é mais inteligência do que concretude. Isso porque embora os fenômenos aconteçam, sua compreensão é representativa e simbólica, ocorre mais na mente do que na prática. Sim, não podemos negar a realidade das ocorrências, todavia o que chamamos de história é algo que acontece apenas na consciência humana, a qual a entende como coisa simbólica ou ente representativo, transformados em idéias e palavras que significam a realidade e seus acontecimentos fenomenais. Assim, a história que fazemos é mais psicológica do que real. Pois sua área de trabalho é interpretativa, segue as orientações cognitivas e discernentes do historiador, que dá a ela conotações que salientam seu ponto de vista pessoal, seu repertório de saber e sentimentos acumulados com o tempo, sua educação familiar recebida, seu conjunto de idéias e normas, princípios e valores orientadores de sua perspectiva em relação à realidade que se transforma a cada momento e a todo instante, sua cultura regional e sua mentalidade local, seu ambiente de família e trabalho, enfim, seu mundo de significados e significantes que tornam original sua obra criadora de estórias e de história, segundo a sua visão da realidade e a interpretação que tem dos seres e das coisas que compõem o cotidiano. Deste modo, os detalhes que conectam os acontecimentos, transforma-os em reflexos que fazem caminhar os fenômenos, tornando-os as diferenças que movimentam a realidade e a consciência que temos dessa realidade. A Realidade existe, mas a história é a consciência dessa realidade.
As Crises que movimentam os humanos
Quando a dor começa a nos consumir, o mundo parece se fechar para nós, as coisas se tornam obscuras, sofremos com a aparente falta de alternativas, as consciências se vêm perturbadas e transtornadas, um universo de distúrbios mentais e emocionais invadem o nosso ser, pensar e existir, o ambiente em que vivemos nos ignora, somos rejeitados em nosso convívio diário e noturno, as opções não existem, nos transformamos em uma rua sem saida, somos excluidos de nossas atividades cotidianas, a cruz nos persegue, não há médicos nem remédios para a nossa cura interior, as mentalidades se chocam e se contradizem, as culturas se abalam e passam a viver em uma dialética interminável, criticam-se os pontos de vista das pessoas, as posturas sociais e as ideologias políticas, confundem-se os partidos e complicam-se as diferentes visões da realidade, as tradições e os velhos costumes bloqueiam a novidade a nossa frente e as surpresas que mexem com a história, a vida se faz um calvário permanente, nossos sacrifícios são em vão e não servem para nada, nossos trabalhos e afazeres não têm sentido nem razão de ser, são inúteis os nossos empenhos e estranhos os nossos esforços, ficamos esquisitos pois a sensação de indiferença toma conta dentro e fora de nós, ficamos céticos diante da realidade, nossas certezas se tornam relativas e as verdades deixam de ser absolutas e necessárias, o vazio toma-nos por inteiro e o nada é a nossa única estrada de existência, ficamos indefinidos em nossas atitudes e indeterminados em nossos comportamentos, o bom-senso se faz ausente e a lucidez se afasta de nós, ficamos insensatos perante os acontecimentos e o cotidiano fica irreal e irracional, nossos sentimentos se tornam ocos, as idéias se ofuscam e apaga tudo na nossa cabeça, enfim, nesses instantes de tristeza e abandono, de angústia e aflição, de medo e pânico, de negativismo e pessimismo, de desespero e solidão, as crises ocorrem com grande frequência e a solução é a mudança de inteligência e a metamorfose de nosso jeito de ser, buscar a novidade que transforma e a mobilidade que nos salva da rotina e do passado, cair na real e fazer do presente um caminho de equilíbrio e otimismo, uma viasaudável e agradável de qualidade de vida e riqueza de conhecimentos, excelência ética e espiritual, saúde material e bem-estar no corpo, na mente e no espírito. Assim é a história. Os Fatos são únicos todavia a sua interpretação é motivo de crise que nos sacode por dentro e nos movimenta por fora. Nessas ocorrências temporais de mudanças sociais e instabilidades institucionais, de indefinições econômicas e financeiras e de indeterminismos políticos, faz-se a vida, o tempo e a história. Nas crises, os gigantescos fenômenos cotidianos, os homens grandes, e quando as mulheres fazem a diferença. Nelas, o progresso dos povos e o desenvolvimento das nações, a superação das racionalidades e a ultrapassagem das experiências e suas circunstâncias de família e trabalho, saúde e educação. Com elas, as situações crescem e evoluem as respostas para as suas turbulências muitas vezes irreparáveis. Sem elas, a história não caminha, não se processam o bem-comum e o bem-estar da humanidade. Delas dependem o sucesso das sociedades humanas. Elas são o motor do tempo e o sentido da história. As crises são imprescindíveis. Necessárias mesmo.
As Transformações e seu processo evolutivo
A História é a interpretação dos fatos ou a manifestação da consciência humana no tempo através dos acontecimentos da realidade cotidiana, que são gerados e geridos por essa racionalidade em contato com a experiência, ou a intervenção da inteligência nos fenômenos reais e atuais que atravessam a permanência das sociedades no decorrer das ocorrências do meio em que vivem. Assim, os fatos como disse acima são uma realidade única porém a história é a sua interpretação temporal ou a conscientização de seus reflexos na vida de cada dia e de toda noite. Constrói-se portanto a vida e a sociedade por meio da interferência humana nos contextos sociais e nos ambientes políticos, nas mentalidades culturais e nas culturas econômicas e financeiras de populações inteiras ou de comunidades locais, regionais e globais. Tal construção é na verdade é óbvio evolutiva tendo em vista a melhoria da qualidade de vida das pessoas, o progresso da saúde dos povos e o desenvolvimento do bem-comum e do bem-estar de suas sociedades, proporcionados certamente pelas pesquisas científicas e as inovações tecnológicas, as articulações artísticas e as produções filosóficas, além é claro dos princípios morais e religiosos e dos valores éticos e espirituais, das normas sociais e ambientais e das raizes ideológicas e psicológicas, que favorecem o crescimento sadio das nações do mundo inteiro, orientando-as sempre no caminho do bem e da paz e na estrada da bondade e da concórdia, fonte da fraternidade universal e base da solidariedade integral entre pessoas, grupos e indivíduos de todo o Globo Terrestre. De fato, as transformações presentes e futuras oriundas das crises passadas possibilitam o processo propagador de vida de qualidade e rica de conteúdo em termos de saúde mental e física, material e espiritual, para todo o conjunto da humanidade. Isso revela igualmente que a realidade dos acontecimentos faz com que a consciência dos homens e das mulheres interprete-os a sua maneira, qualificando-os ou não segundo as ferramentas hermenêuticas da inteligência humana, determinando se esses fatos são positivos ou negativos para o destino das gentes e dos povos do Planeta. Por conseguinte, não pegamos nem tocamos a história sensivelmente. A História é feita de diferenças, que, por sua vez, são interpretações oferecidas pela racionalidade humana para se compreender o fluxo dos acontecimentos e o complexo do cotidiano. Com efeito, existem várias histórias sobre uma mesma realidade, porque diversos são os pontos de vista e diferentes são as visões de mundo e de sociedade interpretadores desse real de cada dia e de toda noite e de muitas madrugadas. A Interpretação faz as diferenças, e com as diferenças compreendemos a realidade, que se faz inteligível para o homem ao mesmo tempo que é sensível como os fatos e empírica como os acontecimentos.
As Metamorfoses Temporais
Mudar para melhor, eis o processo da vida e da história dos homens e das mulheres. Somos mudança, transformação, metamorfose. Mudamos com o objetivo de progredir material e espiritualmente, evoluir física e mentalmente, nos desenvolvermos política e eticamente, social e economicamente, cultural e artisticamente, filosofica e cientificamente, tecnica e tecnologicamente, esportiva e recreativamente. Mudamos para crescer. Crescer com responsabilidade, compromisso e respeito. Crescer para o bem e a paz das pessoas. Crescer com sustentabilidade enfatizando o lado social das comunidades e a reverência ao meio-ambiente. Crescer para a frente e para cima. Crescer com a humanidade rumo a Deus. Crescer positivamente. Assim é a caminhada humana sobre a Terra que se estende por todo o universo infinito da realidade eterna. Cada vez mais e melhor, a cada ano, mês, dia, hora, minuto e segundo, somos maiores e melhores. Tal a tendência do tempo e a realidade da história. A Vida se processa eternamente, ultrapassando as fronteiras temporais e os limites do cotidiano, superando as definições dos fatos e as determinações dos acontecimentos, transcendendo inclusive as possibilidades do aqui e agora, para mergulhar no universo infinito de eternas realizações junto ao ambiente humano e divino da eternidade. Não paramos na morte. A História nos parece eterna, porque seus fenômenos estão conectados com a vida das consciências cujos princípios são permanentes e cujos valores são absolutos. Sim, somos eternos. A História humana continua nos espaços infinitos do tempo eterno. Porque somos criaturas de Deus cujo domínio é exercido sobre nós e todos. Portanto, a história dos homens e das mulheres se transforma para além do tempo, e mergulha suas metamorfoses no oceano da eternidade. Somos metamorfoses em pessoa.
Historicidade: um processo em mudança para melhor
Observando a história das civilizações humanas desde seus primórdios até os tempos de hoje conclui-se facilmente que seu processo temporal sempre foi positivo, seus momentos decorreram com o otimismo de uma vida em constante mutabilidade para melhor, seus instantes se identificaram com as mudanças construidas em função da saúde e bem-estar dos homens e das mulheres que os constituiram, as situações vividas corresponderam a uma mentalidade de prosperidade entre os povos e a uma cultura de sucesso entre as nações, as circunstâncias experimentadas foram geradas com finalidades de progresso material e espiritual, de evolução física e mental, de crescimento cada vez mais e melhor concordando com a unidade entre meio-ambiente e desenvolvimento sustentável, onde a convergência de políticas públicas e sociais, de realismo financeiro e cultural, inovação científica e tecnológica, novas e diferentes produções artísticas e filosóficas, cooperaram para uma consciência maior e melhor do conjunto da humanidade com respeito aos seus direitos humanos e conquistas sociais e ambientais, determinando seu grau de liberdade geradora de outras tendências e possibilidades para todos e cada um e definindo gradativamente sua postura relativa à construção da paz e da fraternidade universal e solidariedade entre todos os humanos e terrestres. Assim produziu-se até aqui e agora uma humanidade mais justa e amiga, ordeira e pacífica, fraterna e solidária, mais humana e digna, com mais qualidade de vida, com mais riqueza de conteúdo e com mais excelência de virtudes. Os humanos ficaram mais pertos de Deus. Colaboraram efetivamente para isso as diferenças regionais e ambientais, as ideologias de grupos e indivíduos, os pontos de vista das pessoas e a visão concreta de uma realidade sempre em metamorfose ambulante. Construiram-se pois deste modo as sociedades de hoje.
Otimistas, graças a Deus
As diferenças fazem a história. E o otimismo produz essas diferenças, responsáveis pelo dinamismo da vida e o movimento das sociedades, o progresso dos povos e o desenvolvimento das nações, a evolução das consciências e o crescimento das alternativas de liberdade, fonte da verdadeira felicidade. Somos otimistas em relação ao cotidiano da nossa existência de cada dia e de toda noite. Tal otimismo é o motor da realidade que nos cerca, que nos empurra para a frente e para o alto, fazendo as mudanças do tempo e as metamorfoses da história. Assim se processa a vida cotidiana. Deste modo, se alimentam os negócios, se fazem os intercâmbios culturais, interagem as pessoas entre si, compartilhando uns com os outros os seus conteúdos ricos de conhecimentos e valores, trocando moedas e realizando atividades mútuas e experimentando ações recíprocas e atitudes polivalentes. Crescem então a consciência da história e a busca por liberdade. Tal o caminho da felicidade real. Juntos, os humanos e os terrestres, constroem suas vidas a partir do otimismo, a alavanca do progresso, da boa saúde e do bem-estar, e do bem-comum das comunidades locais, regionais e globais que constituem a humanidade. Otimistas, geram boas condições de vida e trabalho para todos e cada um. Positivos, produzem diferentes e novas opções de emprego, de atividades emancipadoras, de práticas emergentes, que fazem o sucesso das pessoas, grupos e indivíduos interessados nos créditos, favores e benefícios que a prosperidade pode alcançar. Desta maneira, faz-se a vida real, as sociedades pluralistas, as organizações sociais e institucionais, os beneplácitos políticos, as riquezas econômicas e os lucros financeiros, a multifuncionalidade das culturas em ascensão e das mentalidades que fazem da vida a ponte para a qualidade e a excelência de uma existência rica em conteúdo. Caminhamos assim. Tal a nossa felicidade temporal que se estende por toda a história do além, da transcendência e da eternidade. O Otimismo continua na imortalidade.
Nos primórdios da cultura ocidental, a PAIDÉIA, modelo de educação e formação do homem grego, se propunha a ordenar o caos das sociedades então espalhadas pelos continentes ora conhecidos, disciplinar a confusão de culturas e tradições, costumes e mentalidades, que se chocavam umas com as outras, e organizar os seus valores éticos e espirituais, as suas normas sociais, culturais e ambientais, os seus princípios de mente, de corpo e de espírito, e suas raízes históricas e geográficas, seus contextos cotidianos e seus ambientes de realidade carregada das controvérsias humanas e naturais, de conflitos entre pessoas, de dificuldades entre grupos e indivíduos e seu convívio nas ruas e em casas, nas famílias e nos trabalhos, nos campos e nas cidades, de problemas, novidades e diferenças de comportamento, de consciência individual e coletiva, de experiências de contrários e das adversidades que a própria vida nos coloca, visto que a condição humana estabelece limites à natureza e consolida fronteiras ao universo sem limitações físicas, pois o espaço é sem fim, o tempo é eterno e a história convive com suas finitudes materiais ao mesmo tempo que apela para as infinitudes do pensamento além, longe das definições do conhecimento possível e distante das determinações morais e religiosas, científicas e tecnológicas, artísticas e filosóficas, impostas por nossa existência de bloqueios psicológicos e de barreiras ideológicas, para depois, mais tarde, racionalizar todo esse repertório de interpretações gerais, tornar inteligíveis os processos de obtenção do saber, e gerir intencionalmente os destinos da espécie humana e seus contatos e efeitos na realidade de cada dia e de toda noite, e das madrugadas experimentadas pelo conjunto da humanidade. Observa-se aqui e agora que a racionalidade combate a desrazão, o bom-senso luta contra a insensatez e o nosso juizo das coisas batalha enfrentando as oposições de uma mente provavelmente desequilibrada, transtornada em si mesma, e cheia de distúrbios oriundos de uma irracionalidade sem fundamentos e de uma irrealidade sem sustentação na consciência dos homens e das mulheres que fazem a história e encaminham para si e os outros as metas de seus caprichos e os objetivos de seus arbítrios vestidos talvez de uma inteligência produtora de conteúdos sensatos, em nome da razão projetora e planejadora de idéias e ideologias, símbolos e imagens, valores e princípios, sons e linguagens de vídeo e de cinema. É nesse clima de interpretações paradoxas que se faz a história da humanidade.
O Processo Crítico e Dialético da Formação da Consciência do Homem e da Mulher na História da Humanidade
A Vida é feita de diferenças. No decorrer da história, desde o tempo antigo até os dias atuais, o sujeito sempre contracenou com o objeto, a luz com as trevas, o feijão com o arroz, a realidade com a racionalidade, a essência com a aparência, a paz com a violência, o amor com o ódio, a vida com a morte, o certo com o errado, o bem com o mal, o direito com a falsidade, o vício com a virtude, a ordem com o caos, o homem com a mulher, o boi com a vaca, a flor com o fruto, o oxigênio com o gás carbônico, Deus com o diabo, a noite com o dia, o verão com o inverno, o novo com o antigo e assim por diante. As diferenças nos uniam e nos separavam, nos assemelhavam e nos contradiziam uns com os outros. Tudo sempre foi diferença. Todos sempre foram novidades que surgiam, contrários que nos dividiam, surpresas que nos maravilhavam, adversidades que nos dialetizavam, contradições que isolavam a bondade da maldade, o preto do branco, o galo da galinha, a graça do pecado, o fino do grosso, o grande do pequeno, o maior do menor, a presença da ausência, o cheio do vazio, o tudo do nada, o absoluto do relativo, o necessário do contingente, a substância do acidente, sempre refletindo para todos nós, habitantes do Planeta Globo, que a natureza e o universo, a existência humana e divina, viviam de contrários, ou de detalhes diferentes, de coisas miúdas em contraste com seres graúdos, até que assim compreendêssemos a realidade cotidiana como ela é, sempre foi e assim o será eternamente. Sim, não somos iguais, mas diferentes. E a história da consciência humana sempre revelou essa alteridade de princípios e contrariedade de valores, que juntos ou separados passaram a constituir o conhecimento para o qual o pensamento se une à realidade, desnudando pois a verdade das idéias concebidas em contato com a experiência cotidiana. Justamente essa transparência do contexto real e atual em que vivemos hoje, aqui e agora, faz-nos entender que a realidade vivida é construida a partir das diferenças conscientemente adquiridas, ambientalmente praticadas e eticamente possuidas, originando pois as relações humanas e sociais, a interatividade de comunidades e o compartilhamento de conteúdos físicos, mentais e espirituais. Nesse intercâmbio de atividades comuns, os relacionamentos se aproximam ou não, as atitudes se convergem ou não, e as experiências se fazem concordantes ou assumem um compromisso com a violência das ações e a agressividade de comportamentos várias vezes insensatos e desequilibrados, aumentando ainda mais o abismo entre as partes opostas, causando mal estar nas sociedades divididas pelo erro de seus agentes comunitários que deveriam antes construir do que destruir, criar condições de liberdade ou situações de felicidade e não simplesmente produzir a escravidão patológica ou a prisão de consciências subordinadas umas às outras. Em tal estado dialético de posições, gera-se a realidade e produz-se o cotidiano. A História é dialética.
Fundamentos da Interpretação
A Realidade é única. Todavia, a interpretação da realidade é variada, múltipla e polivalente. Sua hermenêutica mostra que os pontos de vista das pessoas podem convergir ou se distanciar, concordar ou se afastar, o que significa que a vida é relação, relação de opostos, de contrários que produzem a economia dos povos e a riqueza ou pobreza das nações, sua cultura excelente ou miserável, sua política de alternativas diversas, suas sociedades articuladas em instituições e entidades governamentais ou não, propriedades privadas ou organizações públicas, sociais e coletivas, seus negócios produzidos com austeridade absoluta ou com a relatividade das ações morais, seu complexo de arte, lazer e esporte, e demais atividades recreativas, geradas tendo em vista a saúde dos indivíduos e o bem-comum das comunidades e o bem-estar geral da humanidade. Assim funciona a realidade cotidiana. Seu fluxo de possibilidades é dinâmico e ativo, seu complexo de boas tendências segue a lógica do progresso econômico e financeiro, a emergência social, cultural e ambiental, a emancipação ética, política e espiritual, o desenvolvimento dos recursos que satisfazem os nossos desejos naturais e realizam as nossas necessidades humanas, a evolução da consciência segundo a viabilidade da produção de conteúdos de conhecimento de qualidade, de experiências de crescimento em valores positivos, princípios de vida estáveis, normas sociais consistentes e raizes existenciais seguras que possam garantir a magnitude de uma vida onde seus direitos sejam compreendidos e respeitados, e seus deveres e obrigações, compromissos e responsabilidades cumpridos com sabedoria de vida de quem luta paraser alguém na vida, e fazer da liberdade a sua condição de felicidade. Esses fenômenos interpretativos demonstram que a consciência humana evolui hermeneuticamente, de acordo com os contextos reais e atuais do tempo e da história e segundo os parâmetros transcendentais de sua realidade em si, de si, por si e para si. Somos pontos de vista diferentes e até contrários, semelhantes ou antagônicos, construtores dos símbolos da história de todos os tempos e lugares, organizadores do cotidiano que vivemos, disciplinadores de nossa racionalidade real e ordenadores da vida praticada em sociedade. Somos intérpretes de uma realidade em mudança, que se transforma para melhor ou pior, dependendo da metamorfose operada em nossa consciência de valores bem ou mal orientados e de princípios bem ou mal vividos. Depende de nós o progresso. Depende fundamentalmente do Fundamento de nós o destino bom de nossas vidas materiais e espirituais.
As Sínteses transformam a realidade
Recordo-me de Hegel, filósofo da era moderna, contemporâneo de Karl Marx e Engels, fundadores do Partido Comunista de 1848, em plena crise industrial na Inglaterra, que dissera então que a vida é uma dialética, que se inicia com uma Tese, contraposta por uma Antítese, que, ao final das contas, seria resumida por uma Síntese, fenômenos da realidade cotidiana, que constituem os fatos históricos, determinam o comportamento das sociedades, interferem na iniciativa de grupos e indivíduos que se relacionam e mantêm atitudes de convívio social e político, econômico e cultural, definem suas consciências e seus conteúdos em forma de conhecimento, ética e espiritualidade, intervêm no destino dos povos, no presente e futuro da natureza e do universo, e estabelecem a lógica do cotidiano cujo sentido é o movimento de contradições internas que fazem os acontecimentos da vida de cada hora, de todo momento e de alguns instantes. Sim, somos dialéticos. Eis o que torna possível as diferenças da realidade e os detalhes do cotidiano. Eis o que mobiliza a infra-estrutura das nações e seus efeitos econômicos, científicos, políticos e tecnológicos, sociais e culturais, configurando assim a racionalidade das comunidades que compõem as localidadese regionalidades, e globalidades, em que se insere o conjunto da humanidade. Com efeito, sintetizados nossas ações a cada minuto, e as transformamos em novas e diferentes teses e antíteses, que, por sua vez, serão outras sínteses a mais, o que reflete o dinamismo do cotidiano, seus opostos que interagem, seus contrários que se contagiam uns aos outros, englobando em si idéias e ideais em conflito, ideologias e partidos em oposição, simbologias e imagens problemáticas, princípios e valores que se chocam para produzir melhorias no ambiente vivido ou condições piores ainda de sobrevivência. É onde surgem as atitudes ecléticas que de tudo e em todos retiram sempre algo de bom e que certamente fará bem ao contexto temporal das sociedades, então globalizadas, que realizam intercâmbios culturais, que efetizam entre si o troca-troca de idéias e conhecimentos, que inventam posturas éticas complicadas ou geram posições espiritualizadas em acordo com a saúde do Planeta e o bem-estar das populações mundiais. Sim, a tendência, diante de toda essa panafernália dialética. É que sejamos ecléticos. Talvez sejamos ecléticos por natureza.
A Essência do Cotidiano
A Experiência do dia a dia da nossa vida nos revela que os fenômenos da realidade cotidiana estão permanentemente em choque produzindo conflitos e aberrações em que o bem e o mal se debatem, duelam um com o outro, se confrontam mutuamente, disputando um lugar ao sol, um jeito diferente de se fazerem presentes na vida da humanidade e seu ambiente de família e trabalho, de rua e supermercado, de restaurante e shopping, de convívio social e cultural, político e econômico. De fato, a contradição é a marca registrada da vida cotidiana. Nela, a paz das pessoas combate com a violência das ruas, o bem que se faz batalha contra a cultura da morte e da maldade, os apelos de vida em abundância fazem uma guerra constante em face da pobreza e da miséria de muitos, o amor de grupos e indivíduos e suas práticas generosas de fraternidade e solidariedade lutam contrariando as forças do ódio e do egoísmo e da mentalidade que prega a prisão ideológica e a escravidão psicológica das pessoas, o direito e o respeito contradizem as experiências de hipocrisia, falsidade e ausência de transparência ética e espiritual, a ordem e a justiça social controlam a confusão das consciências e as adversidades da experiência diária e noturna, o desejo de liberdade que aumenta as oportunidades de vida e dilata as possibilidades de trabalho contrapõe-se às limitações físicas, mentais e espirituais dos seres humanos, a busca da felicidade pessoal e coletiva parece dominar os contrários de quem faz da tristeza e da angústia, do medo e do pânico, da aflição e do desespero as suas únicas alternativas de existência e quem sabe as respostas mais reais e atuais do povo das ruas e das famílias em casa na sua procura por ser alguém no meio da sociedade, a saúde individual e o bem-estar das gentes aspiram por superar as doenças biológicas, as moléstias sociais e as enfermidades materiais e espirituais, cultivando a bondade que constrói e criando novas e diferentes opções de bem viver a vida em comunidade, e assim por diante. Eis pois o cotidiano, ferido pelas balas perdidas de policiais duelando com bandidos, machucado pelos assaltos a banco promovidos por traficantes, adoecido pelos seqüestros-relâmpagos de pessoas de bem e trabalhadoras, cego pelo tráfico de drogas e a corrupção moral de grande parte da coletividade, e escravo da violência que mata e da agressividade que ignora o bem alheio e a sua paz tão indispensável, a calma da sua alma e a sua tranqüilidade espiritual. Assim é o contexto real e atual, temporal e histórico da realidade de cada dia vivida por nós aqui e agora. Eis então que surge alguém que decide mexer nessa máquina de produzir contradições, intervir em seu processo enlouquecedor das consciências e interferir a favor do bem ou do mal tendo em vista gerar o movimento em prol ou não do bem-estar da humanidade e do bem-comum da sociedade, para isso escolhendo o caminho da liberdade que constrói a verdadeira felicidade das pessoas diminuindo os riscos de uma experiência negativa e pessimista de quem faz da maldade o sentido da sua vida e da violência a razão do seu existir. Sim, a realidade está aí, aqui e ali querendo de nós uma decisiva intervenção capaz ou de melhorar as suas condições e relações de vida e trabalho, saúde e educação, ou de piorar as suas situações dialéticas de vida e as suas circunstâncias críticas de existência, deixando pois por nossa conta o caminho da felicidade ou não da sociedade em que vivemos neste mundo em mudança contínua e em processo aberto de construção de novas e diferentes possibilidades de progresso material e espiritual, e de evolução física e mental. A Opção é nossa. Cabe a nós interferir bem ou não nesse processo. Os resultados de nossas escolhas decidirão o destino do cotidiano das pessoas com quem compartilhamos os direitos e deveres de cidadania no interior dessa sociedade complexa cujo fluxo de experiências negativas e positivas, pessimistas e otimistas, devem nos fazer refletir e decidir pelo melhor caminho de vida, a boa via da salvação e a estrada libertadora de nossas misérias sociais e culturais. Só depende de nós crescer ou não. Que Deus nos ajude a encontrar a melhor solução nesse caso. Ou o caminho do desenvolvimento sustentável. Ou o atraso e o regresso de uma ética comprometida com a cultura da morte e a mentalidade da violência e da maldade. Que Deus nos oriente nessa hora.
A Vida é uma Dialética
Muitas vezes em nossa vida diária através de uma idéia que surge em nossa mente construímos um mundo de possibilidades para a nossa existência, criamos novas realidades e diferentes experiências, produzimos ricos conteúdos de conhecimento de qualidade, como em um processo TESE – ANTÍTESE – SÍNTESE, que denominamos de movimento dialético, onde um fenômeno que acontece no cotidiano é contraposto por outro, e este por sua vez sofre uma diversa contradição gerando então um fenômeno agora transformado, resumo dos contrários que o antecederam, produto das adversidades que o geraram. Assim é a vida de cada dia e de cada noite. Vivemos por meio de contradições, que se guerreiam umas com as outras, gerando novos contrários e diferentes realidades contraditórias cuja síntese é um perfeito universo de experiências que tendem para o bem que fazemos e para a paz que vivemos, visto que a nossa natureza é boa originalmente, porque vem de Deus, e tudo o que ela cria e propaga caminha para a nossa felicidade e bem-estar, desenvolvendo em nós, de nós e para nós, e por nós, a boa liberdade que se identifica com o direito e o respeito vividos, a responsabilidade em nossas atitudes e relacionamentos, o juízo e o bom-senso em nossas atividades, o nosso equilíbrio mental e emocional, o controle da nossa cabeça e o domínio de nós mesmos.. Portanto, através de contradições sempre novas e diferentes vamos construindo a vida, articulando outras realidades e condicionando diversas experiências fecundas e profundas, sempre nesse processo dialético em que uma palavra produz palavras que se contrariam que por seu lado geram outras palavras que se contradizem, permitindo ao final a síntese de uma ótima ideologia transformadora, que então modifica para melhor os nossos ambientes de vida, metamorfoseando o nosso cotidiano, dando-nos pois a possibilidade de uma vivência mais ordeira e pacífica, mais fraterna e solidária, mais livre e feliz, mais saudável e agradável. Viver portanto é contradizer e contradizer-se, o que nos propicia novas atitudes perante a realidade, diferentes olhares sobre o cotidiano, outras posturas sociais diante dos problemas, gerando-nos uma vida de possibilidades múltiplas e de alternativas diversas, mais rica em conteúdo e mais perfeita na sua experiência de cada instante. Somos dialéticos. Por meio da dialética, o mundo se desenvolve, a vida se processa, a realidade progride, o ambiente evolui, e crescem as nossas melhorias sempre mais abertas e libertas, renovadas e restauradas, recuperadas e regeneradas, em um movimento perene de grandes descobertas que se concretizam e de gigantescas revelações que nos surpreendem a todo momento. Dialetizando, a vida se constrói. Ficamos mais ricos. Nos tornamos mais perfeitos. Aumenta a nossa qualidade de existência. Superamos limites. Ultrapassamos obstáculos. Transcendemos as barreiras dos preconceitos mentais e das superstições religiosas. Vivemos então a excelência de uma realidade humana, naturalmente constituída e culturalmente desenvolvida. Metamorfoseamos assim as nossas experiências e situações diurnas e noturnas. Nos transformamos para melhor. De bem com a vida e em paz conosco mesmo, vamos gerando novas dialéticas e fazendo das contradições presentes que aqui e agora se processam pontes para a felicidade, ferramentas de renovação interior e exterior e instrumentos de libertação material e espiritual, física e mental. Que Deus abençoe pois as nossas dialéticas cotidianas.
A Pedagogia das Possibilidades
Parece que a vida e a história, seus fatos do dia a dia e seus acontecimentos de cada instante e de todo momento, refletem a Pedagogia Humana e sua busca por novas alternativas de aprendizagem e constituição de idéias e conhecimentos e diferentes possibilidades de ação e intervenção no mundo social e político, econômico e cultural, científico e tecnológico, artístico e filosófico, moral e religioso, recreativo e esportivo, de tal forma que nesse processo interativo e de compartilhamento de conteúdos de saber e de poder, outros intercâmbios se realizam, grandes criações se fazem e diversas produções de linguagem, de culturas polivalentes e mentalidades múltiplas se multiplicam somando-se ao tradicionmal repertório de discutidos obtidos até aqui e agora, o que viabiliza a construção positiva e otimista da caminhada temporal de gigantescas interferências noi destino dos povos, definindo suas atitudes no meio em que vivem e determinando suas atividades no contexto de suas experiências de geração de boa saúde social e institucional e bem-estar das nações emergentes, desenvolvidas e em vias de progresso material e espiritual. Assim caminha a história. Os homens e as mulheres constroem na realidade diária e noturna um universo de boas tendências, de alternativas novas de evolução física, mental e espiritual, e de possibilidades diferentes todavia geradoras de qualidade de vida para as suas sociedades e demais comunidades locais, regionais e globais, além de enriquecer seu campo de produção de princípios nobres e de valores excelentes, capazes de oferecer à consciência humana uma luz orientadora das suas práticas virtuosas em seu dia a dia, que ainda lhe favorece com os benepláticos de Deus, o Autor da Vida e Senhor da História, ajudando-se ao crescimento ordenado, disciplinado e organizado de toda estrutura humana e seu sistema de créditos sem fim, de benefícios cada vez maiores e melhores que o progresso lhe dá, e que são constituintes da ótima fase que atravessa sempre o processo evolutivo da humanidade. Somos possibilidades. Somos alternativas de movimento construtor de conteúdos ricos para uma humanidade sempre esperançosa por dias melhores para a sua gente, os quais revelam o bom espírito que conduz o desenvolvimento sustentável que caracteriza a caminhada humana até aqui e agora. Consolidar essa realidade positiva é tarefa responsável dos trabalhadores que fazem a diferença na história, constroem a sua estrada de possibilidades novas e diferentes. Deste modo, evolui a cultura humana e progride a sua mentalidade natural e cultural. Produzem-se assim as diferenças do tempo que geram o progresso da história. Nas diferenças, evoluimos.
A Construção das Tendências
As interferências dos agentes humanos dentro da realidade determinam as tendências boas ou más do presente e futuro da humanidade, tendo em vista que esse processo de construção das tendências, alternativas e possibilidades da história dos homens e das mulheres obedecem aos princípios de uma consciência bem ou mal conduzida, aos valores de uma racionalidade bem ou mal orientada, às normas pessoais e sociais de uma inteligência bem ou mal articulada e às raizes éticas, cognitivas e espirituais que definem a boa ou má conduta dos seres humanos e as consequências de suas práticas reais ou irreais, racionais ou irracionais, conscientes ou inconscientes no contexto social do tempo e dos ambientes históricos onde intervêm as luzes da subjetividade e as forças de uma objetividade identificadas com a saúde de suas comunidades e o bem-estar de seus povos. Nessa direção, caminham os processos humanos que fazem a história evolutiva do conjunto das sociedades, constituindo a sua mobilidade ambiental e articulando o destino de seus movimentos culturais e políticos, suas emergências sociais e econômicas e suas emancipações éticas e espirituais. Em tal caminhada construtora de boas perspectivas de progresso, o tempo se cria e a história se faz, a realidade produz e se produz e o cotidiano fica feliz observando o otimismo das pessoas que circulam nas ruas, que vão e voltam do trabalho, que beijam e abraçam diariamente suas famílias, que se relacionam em botequins e supermercados, que fazem intercâmbios culturais em modo de amizades que se ajudam umas às outras, que interagem em restaurantes e shoppings, que compartilham seus conteúdos e experiências de ser e ter, de saber e poder. De fato, as tendências da história, boas ou más, reverenciam a boa ou péssima orientação de seus ideais, articulados pelos homens e mulheres, que mexem com as metas e os resultados de seus comportamentos sociais, de suas relações interativas e de suas posturas mentais e posições psicológicas, responsáveis pelo destino dos fatos e pelas consequências que os acontecimentos determinam aqui e agora. Conscientemente ou não as pessoas, grupos e indivíduos ditam e interferem nas regras do tempo e nas raizes dos fenômenos históricos, direcionando as suas experiências, definindo os seus objetivos e produzindo seus efeitos na realidade cotidiana. Assim, real ou imaginariamente, se pode intervir no destino dos povos, criar as condições boas ou más de suas atividades, determinar a sua conduta no ambiente vivido, dirigir o seu comportar-se na sociedade e definir as suas ações burras ou inteligências que fazem os fatos ocorrrerem positiva ou negativamente. Por isso mesmo, ora convivemos no dia a dia com a violência das balas perdidas e a agressividade de cidadãos transtornados por distúrbios de sua consciência ora assistimos o bem que as pessoas fazem e a paz e a concórdia em que elas vivem, a fraternidade das gentes e sua solidariedade com os problemas, conflitos e dificuldades de muitas comunidades em situações de risco ou inseguras com a instabilidade das ruas, a contradição de polícias e bandidos, a discordância de opiniões contrárias e a divergência de pontos de vista que, em choque, estragam o bom convívio social e destroem amizades antigas ou amores passados, relações outrora sinceras e honestas e interatividades anteriormente bem articuladas e bem orientadas. Tendências constroem os acontecimentos. Tendemos para o bem ou para o mal.
Superação de limites
Ao se debruçar sobre a realidade cotidiana a inteligência humana a interpreta e assim acontece a história. Nesse contexto hermenêutico de pontos de vista construidos com fundamentação, os travamentos ocorrem com frequência, os preconceitos aparecem para bloquear a consciência e as superstições se acham no direito de penetrar na racionalidade da vida, constituindo pois um universo de representações mentais identificadas com as tradições dos homens, seus costumes morais e seus exercícios espirituais, seus ambientais sociais e políticos muitas vezes ultrapassados, seus meios econômicos e financeiros já superados e suas vias culturais então sofrendo com as barreiras do imaginário transformado em transtornos físicos e mentais e distúrbios de ordem psicológicae ideológica, material e espiritual. Diante desses impecilhos mentais, a racionalidade humana procura superar tais limites da representação, interferindo nas possibilidades do dia a dia e intervindo em seu destino social, definindo pois as regras de conduta das sociedades de aqui e agora e determinando as suas práticas e experiências no contato que os cidadãos fazem uns com os outros, mexendo portanto com o convívio das comunidades cujo fim pode ser a boa saúde individual e coletiva ou o mal-estar pessoal e grupal, tendo em vista que os princípios e valores que viabilizam a boa ou má orientação dos sujeitos que acontecem na realidade, podem ou não estar desvirtuados de suas funções, ignorar suas metas e resultados, e se tornar indiferentes aos objetivos reais e atuais a que se propõe quando buscar apropriar-se de seu campo de idéias transformadas em realidade, de ideologias e culturas que se mudam em cotidiano, de mentalidades que se convertem para o dia a dia das pessoas que vivem e convivem em sociedade neste mundo em que vivemos. Pois bem. Enquanto os fenômenos da realidade acontecem, a consciência humana produz a história, a partir das diferenças constituidas em sua racionalidade e que interferem ou não no destino dos povos e no bem-estar da humanidade. Ao superar esses limites da razão, o homem e a mulher intervêm no processo histórico da realidade, transformam ou não o cotidiano para melhor, produzem uma verdadeira metamorfose de transparências, que definem o curso das experiências e condicionam o destino das nações. Na transcendência de palavras gastas e de paradigmas insuficientes, de idéias que não servem mais e de símbolos e imagens aparentemente inúteis e sem função mental e social, se gera a história, a história das interpretações que visam entender e interferir no processo comportamental da realidade cotidiana. Assim ocorre a história. Feita de diferenças. Diferenças interpretadas. Todavia, que definem a realidade e determinam nossas atitudes conscientes ou não, subjetivas e objetivas.
Ultrapassar as fronteiras da razão
Dentro de um contexto social, político e econômico onde os temporais da vida e as tempestades da existência são seguidos pela bonança dos tempos e as temperanças da história, a racionalidade produz a vida e a realidade superando seus próprios preconceitos e superstições, ultrapassando os limites da consciência e da experiência e transcendendo as fronteiras de uma inteligência que às vezes se deixa aprisionar pelas definições das palavras e pelos determinismos de culturas e mentalidades ainda escravas de gerações passadas, de costumes e tradições ultrapassadas, de vivências sujeitas à linguagem gasta, padrões de vida que não valem mais, estigmas sociais velhos e que não estão disponíveis mais para solucionar os grandes problemas da humanidade como a sexualidade, a ideologia política, a emergência social de comunidades, a emancipação ética e espiritual de povos inteiros, o trafico de drogas e entorpecentes, o desemprego, a fome e a miséria, a violência e a migração urbana e rural, os conflitos familiares, as doenças incuráveis como o câncer e a aids, os distúrbios mentais e emocionais de grupos e indivíduos, o analfabetismo das imensas massas populares locais, regionais e globais, a má educação, saúde insuficiente e transporte ineficaz, enfim, tais fronteiras do campo da realidade cotidiana, e do conhecimento e da ética, e da espiritualidade, fazem com que a razão humana busque a diferença geradora de novas alternativas e diversas possibilidades de solução para tais dificuldades, turbulências e enfermidades da vida dos campos e das cidades. Procurar a diferença torna possível a superação desses limites, faz o progresso avançar e o equilíbrio dos povos e nações se torna mais alegre e otimista, viabilizando para todos e cada um uma opção de desenvolvimento sustentável capaz de fazer evoluir a estrutura ecológica do Planeta e suas oportunidades de crescimento social, cultural e ambiental em todos os sentidos da realidade humana e natural. Nesse desejo por diferenças e novidades, mudanças e metamorfoses culturais está a chave do sucesso das sociedades e o segredo da felicidade de sua gente. Precisamos sempre fazer a diferença. O Novo nos espera.
Transcender as experiências vividas
No cotidiano, as pessoas optam por novidades e diferenças, que superam as experiências, costumes e tradições vividas até aqui, transportando-se para situações originais e circunstâncias profundas, manifestando-se assim como a realidade é construida, a partir de princípios estabelecidos e consolidados com o tempo, e de valores éticos e espirituais, orientadores de suas práticas sociais e políticas, condutores de suas economias, culturas e mentalidades, o que significa que através desses fenômenos mentais e emocionais intervêm na história humana, tornam o progresso viável para quase todos, caminham sempre que possível equilibrados e otimistas, pois este é o motor da finitude, encaminhador do desenvolvimento de grupos e indivíduos, comunidades e sociedades, povos e nações, transformando para melhor assim nossos cotidianos de vida e existência, interferindo para o bem e a paz dessa gente, definidor de sua história, gestor de seus empreendimentos, administrador de seus empenhos e esforços por um universo mais livre e feliz. Deste modo, crescem os cidadãos e cidadãs do mundo inteiro, e fazem portanto evoluir as suas consciências e experiências de bem e de paz. A História é evolutiva. Não anda para trás nem para baixo. Ao contrário, vai sempre em frente e para cima, cada vez com mais dignidade humana e qualidade de vida, na luta por seus direitos e no cumprimento de seus deveres e obrigações, compromissos e responsabilidades. Desta maneira, gera condições sociais elevadas para suas populações, uma política de valores agregados que só fazem o bem às suas sociedades, uma economia de desenvolvimento onde sobressaem grande quantidade e qualidade de empregos e trabalhos, e a produção de culturas alternativas, de possibilidades de auto-estima para todos e de oportunidades de subida dos degraus positivos das tendências que a humanidade tem de construir ambientes de paz e de concórdia, e contextos de bem e de bondade para todos e cada um. A Força do Bem constrói a história e o Poder da Paz equilibra as realidades e define os seus cotidianos. Assim se processa a conjuntura da humanidade. O Otimismo, o sorriso e a alegria nos empurram para adiante. O Bem faz a história ainda que o mal algumas vezes seja o senhor das situações.
A Lógica do Cotidiano
A Realidade do dia a dia, plena de conflitos e dificuldades, problemas e turbulências, violências e contrariedades, também tem lugar para a bondade das pessoas, a ordem da sociedade, a paz dos espíritos, a disciplina das mentes, a calma dos indivíduos, a organização das idéias e a tranqüilidade das experiências de amor e vida, geradoras de atitudes fraternas e comportamentos solidários, produtoras de amigos e construidoras de ações generosas em favor das comunidades e grupos que fazem a humanidade.
Parece que há uma ordem no cotidiano.
Uma lógica do concreto.
Uma racionalidade prática.
Em outras palavras, o bem convive com o mal, depois das tempestades vêm as bonanças, após as contradições surgem a harmonia da natureza e a sintonia do universo, o caos cede lugar à ordem, as instabilidades diárias e noturnas caminham juntas com a convergência dos pensamentos, a estabilidade da política, o otimismo da economia, o equilíbrio social e o bom-senso produtor de culturas de bem com a vida e de mentalidades cuja consciência aprova a saúde dos homens e das mulheres e o bem-estar das coletividades.
De fato, existe uma lógica na experiência cotidiana.
Momentos de confusão mental e social convivem com instantes de tranqüilidade das consciências positivas.
Situações de fome, miséria, desemprego e desgraça alheias estão ao lado da riqueza da minoria, da beleza das mulheres e da grandeza da criação de Deus.
São circunstâncias indefinidas, essas que compõem o estado de vida da sociedade em que nos encontramos.
Uma realidade indeterminada, que aceita a ordem do bem e a paz das racionalidades e dos corações ao mesmo tempo que tolera a agressividade da maioria, a intolerância religiosa, o preconceito racista, a ignorância de muitos e a pobreza de grandes populações.
Convivemos com o bem das idéias que constroem e com o mal das violências que destroem a vida, o ser e a existência.
Em torno de nós, o sorriso das crianças e a bandidagem que rouba e assalta no dia a dia da nossa vida.
Ao nosso lado, a sabedoria e a experiência dos mais velhos e a corrupção das drogas e a irreverência dos traficantes e marginais de nossos morros e favelas.
Em nosso entorno, a alegria e o entusiasmo dos jovens que namoram e paqueram as suas garotas e a falta de respeito aos homens direitos e responsáveis e às mulheres bonitas que dão sentido à vida e razão à existência.
Em nossa estrada cotidiana, o conflito das ruas, a bagunça dos meninos que brincam, a seriedade dos homens que trabalham, o sorriso das donas de casa e mães de família, a turbulência dos supermercados, os debates no jornaleiro, o bate-papo no botequim, o aperto de mão na padaria, a compra de remédios na farmácia, a conversa com o patrão, o beijo nas garotas e o abraço dos amigos.
Essa a lógica do dia a dia.
Onde tudo é indefinido.
Onde todos se encontram misturados com o amor e o ódio.
Onde a vida desordenada respeita a disciplina da racionalidade que organiza todas as coisas.
Onde o reino da instabilidade aceita o império da ordem do ser, pensar e existir.
Tem lugar até para Deus.
O Fundamento de todos os fundamentos.
Tal a ordem do concreto.
A Lógica do cotidiano.
A Organização das experiências e dos conhecimentos possíveis, e dos sentimentos prováveis e das atitudes cheias de respeito e equilíbrio.
Eis o cotidiano.
E sua lógica de tendências convergentes e de possibilidades que se distanciam.
É a realidade do dia a dia.
Na escola, o estudo e as brigas de colegas de turmas diferentes.
No hospital, o doente que sofre e o médico que não comparece ao trabalho.
Na igreja, o padre que celebra a missa e o povo que xinga o sacerdote que cobra um dízimo alto da assembléia dos fiéis.
Na empresa, o chefe que manda embora o seu funcionário bastante competente.
Na indústria, a disponibilidade dos empregados e a ausência de respeito dos donos da fábrica.
No comércio, a falta de boas condições de trabalho e o péssimo salário dos trabalhadores.
Na família, a boa educação dos pais e os filhos e filhas que os ignoram e são indiferentes diante dos bons conselhos da mãe e da firme disciplina do pai.
Em tudo, pois, a contradição das circunstâncias, a dialética das consciências e a crítica a quem não reconhece os direitos humanos de quem quer que seja.
Em todos, o respeito e a irreverência, o compromisso e a preguiça, o trabalho e a violência, a ordem e a turbulência, a paz e a confusão, a bondade e a agressividade.
O Cotidiano aceita tudo e respeita a todos.
Compreende a maioria e tolera a minoria.
Nele, o bem e o mal.
Qual a sua opção ?
Tal a sua lógica concreta.
Qual a sua escolha ?
Essa a sua vida real e atual.
Qual a sua alternativa ?
A Articulação da Linguagem
Sabe-se atualmente que história é interpretação, e, portanto, diversificada, embora a realidade dos fatos seja única e absoluta. Igualmente, interpretar alguma coisa ou acontecimento exige o uso de imagens sobre esse cotidiano, que se transformam quase sempre na linguagem das palavras, dos sons e dos vídeos convertidos em rádio, cinema e televisão, jornal e revista, livro e periódico. Tal linguagem interpretativa da estrutura real e atual do contexto temporal cotidiano deve ser articulada, a fim de favorecer pontos de vista novos e diferentes de diversos historiadsores, visões da realidade e da sociedade bastante variadas, olhares sobre o mundo e suas ocorrências muito profundas, possibilitando assim uma reflexão positiva sobre os elementos constituintes da história que se faz aqui e agora, do passado para o futuro passando pelo presente. Esse jogo de palavras e símbolos, que fazem a linguagem interpretativa dos fatos, é um fenômeno da consciência real, racionalizadora das experiências vividas e apreendedora das possibilidades concretas desses ambientes temporais, caracterizando pois a história humana como uma natural reflexão acerca da realidade, tornando a escrita e outras expressões linguísticas a essência mesmo da temporalidade, a lógica correta da finitude e a abstração inteligente das ocorrências políticas e sociais, culturais e financeiras, metamorfoseadas então em história. Sendo assim, o fato histórico, apesar do seu realismo inegável, só é entendido como acontecimento temporal quando abstraido pela racionalidade que o muda em instrumento de comunicação para todos e cada um ou em ferramenta de apreensão de suas ambiências factuais e contextos práticos. Logo, as experiências históricas, embora reais e atuais, só podem ser inteligíveis quando a consciência humana racionaliza a sua potencialidade temporal, seus graus de finitude mundana e seus ambientes de cultura em geral interagida e compartilhada entre todos a partir de conteúdos de conhecimento de qualidade, que são os significantes responsáveis pelo significado da história. Em outras palavras, a história é discurso, não só realidade. A História é palavra, não apenas fato. A História é a imagem consciente que fazemos dos acontecimentos mudada muitas vezes em escrita, ou som, ou vídeo, ou fotografia. A História não é apenas prática, é igualmente imagem.
A Negociação dos Detalhes
É importante sempre enfatizar que a história que construimos é mais interpretação do que realidade, é mais racionalidade do que experiência, é mais inteligência do que concretude. Isso porque embora os fenômenos aconteçam, sua compreensão é representativa e simbólica, ocorre mais na mente do que na prática. Sim, não podemos negar a realidade das ocorrências, todavia o que chamamos de história é algo que acontece apenas na consciência humana, a qual a entende como coisa simbólica ou ente representativo, transformados em idéias e palavras que significam a realidade e seus acontecimentos fenomenais. Assim, a história que fazemos é mais psicológica do que real. Pois sua área de trabalho é interpretativa, segue as orientações cognitivas e discernentes do historiador, que dá a ela conotações que salientam seu ponto de vista pessoal, seu repertório de saber e sentimentos acumulados com o tempo, sua educação familiar recebida, seu conjunto de idéias e normas, princípios e valores orientadores de sua perspectiva em relação à realidade que se transforma a cada momento e a todo instante, sua cultura regional e sua mentalidade local, seu ambiente de família e trabalho, enfim, seu mundo de significados e significantes que tornam original sua obra criadora de estórias e de história, segundo a sua visão da realidade e a interpretação que tem dos seres e das coisas que compõem o cotidiano. Deste modo, os detalhes que conectam os acontecimentos, transforma-os em reflexos que fazem caminhar os fenômenos, tornando-os as diferenças que movimentam a realidade e a consciência que temos dessa realidade. A Realidade existe, mas a história é a consciência dessa realidade.
As Crises que movimentam os humanos
Quando a dor começa a nos consumir, o mundo parece se fechar para nós, as coisas se tornam obscuras, sofremos com a aparente falta de alternativas, as consciências se vêm perturbadas e transtornadas, um universo de distúrbios mentais e emocionais invadem o nosso ser, pensar e existir, o ambiente em que vivemos nos ignora, somos rejeitados em nosso convívio diário e noturno, as opções não existem, nos transformamos em uma rua sem saida, somos excluidos de nossas atividades cotidianas, a cruz nos persegue, não há médicos nem remédios para a nossa cura interior, as mentalidades se chocam e se contradizem, as culturas se abalam e passam a viver em uma dialética interminável, criticam-se os pontos de vista das pessoas, as posturas sociais e as ideologias políticas, confundem-se os partidos e complicam-se as diferentes visões da realidade, as tradições e os velhos costumes bloqueiam a novidade a nossa frente e as surpresas que mexem com a história, a vida se faz um calvário permanente, nossos sacrifícios são em vão e não servem para nada, nossos trabalhos e afazeres não têm sentido nem razão de ser, são inúteis os nossos empenhos e estranhos os nossos esforços, ficamos esquisitos pois a sensação de indiferença toma conta dentro e fora de nós, ficamos céticos diante da realidade, nossas certezas se tornam relativas e as verdades deixam de ser absolutas e necessárias, o vazio toma-nos por inteiro e o nada é a nossa única estrada de existência, ficamos indefinidos em nossas atitudes e indeterminados em nossos comportamentos, o bom-senso se faz ausente e a lucidez se afasta de nós, ficamos insensatos perante os acontecimentos e o cotidiano fica irreal e irracional, nossos sentimentos se tornam ocos, as idéias se ofuscam e apaga tudo na nossa cabeça, enfim, nesses instantes de tristeza e abandono, de angústia e aflição, de medo e pânico, de negativismo e pessimismo, de desespero e solidão, as crises ocorrem com grande frequência e a solução é a mudança de inteligência e a metamorfose de nosso jeito de ser, buscar a novidade que transforma e a mobilidade que nos salva da rotina e do passado, cair na real e fazer do presente um caminho de equilíbrio e otimismo, uma viasaudável e agradável de qualidade de vida e riqueza de conhecimentos, excelência ética e espiritual, saúde material e bem-estar no corpo, na mente e no espírito. Assim é a história. Os Fatos são únicos todavia a sua interpretação é motivo de crise que nos sacode por dentro e nos movimenta por fora. Nessas ocorrências temporais de mudanças sociais e instabilidades institucionais, de indefinições econômicas e financeiras e de indeterminismos políticos, faz-se a vida, o tempo e a história. Nas crises, os gigantescos fenômenos cotidianos, os homens grandes, e quando as mulheres fazem a diferença. Nelas, o progresso dos povos e o desenvolvimento das nações, a superação das racionalidades e a ultrapassagem das experiências e suas circunstâncias de família e trabalho, saúde e educação. Com elas, as situações crescem e evoluem as respostas para as suas turbulências muitas vezes irreparáveis. Sem elas, a história não caminha, não se processam o bem-comum e o bem-estar da humanidade. Delas dependem o sucesso das sociedades humanas. Elas são o motor do tempo e o sentido da história. As crises são imprescindíveis. Necessárias mesmo.
As Transformações e seu processo evolutivo
A História é a interpretação dos fatos ou a manifestação da consciência humana no tempo através dos acontecimentos da realidade cotidiana, que são gerados e geridos por essa racionalidade em contato com a experiência, ou a intervenção da inteligência nos fenômenos reais e atuais que atravessam a permanência das sociedades no decorrer das ocorrências do meio em que vivem. Assim, os fatos como disse acima são uma realidade única porém a história é a sua interpretação temporal ou a conscientização de seus reflexos na vida de cada dia e de toda noite. Constrói-se portanto a vida e a sociedade por meio da interferência humana nos contextos sociais e nos ambientes políticos, nas mentalidades culturais e nas culturas econômicas e financeiras de populações inteiras ou de comunidades locais, regionais e globais. Tal construção é na verdade é óbvio evolutiva tendo em vista a melhoria da qualidade de vida das pessoas, o progresso da saúde dos povos e o desenvolvimento do bem-comum e do bem-estar de suas sociedades, proporcionados certamente pelas pesquisas científicas e as inovações tecnológicas, as articulações artísticas e as produções filosóficas, além é claro dos princípios morais e religiosos e dos valores éticos e espirituais, das normas sociais e ambientais e das raizes ideológicas e psicológicas, que favorecem o crescimento sadio das nações do mundo inteiro, orientando-as sempre no caminho do bem e da paz e na estrada da bondade e da concórdia, fonte da fraternidade universal e base da solidariedade integral entre pessoas, grupos e indivíduos de todo o Globo Terrestre. De fato, as transformações presentes e futuras oriundas das crises passadas possibilitam o processo propagador de vida de qualidade e rica de conteúdo em termos de saúde mental e física, material e espiritual, para todo o conjunto da humanidade. Isso revela igualmente que a realidade dos acontecimentos faz com que a consciência dos homens e das mulheres interprete-os a sua maneira, qualificando-os ou não segundo as ferramentas hermenêuticas da inteligência humana, determinando se esses fatos são positivos ou negativos para o destino das gentes e dos povos do Planeta. Por conseguinte, não pegamos nem tocamos a história sensivelmente. A História é feita de diferenças, que, por sua vez, são interpretações oferecidas pela racionalidade humana para se compreender o fluxo dos acontecimentos e o complexo do cotidiano. Com efeito, existem várias histórias sobre uma mesma realidade, porque diversos são os pontos de vista e diferentes são as visões de mundo e de sociedade interpretadores desse real de cada dia e de toda noite e de muitas madrugadas. A Interpretação faz as diferenças, e com as diferenças compreendemos a realidade, que se faz inteligível para o homem ao mesmo tempo que é sensível como os fatos e empírica como os acontecimentos.
As Metamorfoses Temporais
Mudar para melhor, eis o processo da vida e da história dos homens e das mulheres. Somos mudança, transformação, metamorfose. Mudamos com o objetivo de progredir material e espiritualmente, evoluir física e mentalmente, nos desenvolvermos política e eticamente, social e economicamente, cultural e artisticamente, filosofica e cientificamente, tecnica e tecnologicamente, esportiva e recreativamente. Mudamos para crescer. Crescer com responsabilidade, compromisso e respeito. Crescer para o bem e a paz das pessoas. Crescer com sustentabilidade enfatizando o lado social das comunidades e a reverência ao meio-ambiente. Crescer para a frente e para cima. Crescer com a humanidade rumo a Deus. Crescer positivamente. Assim é a caminhada humana sobre a Terra que se estende por todo o universo infinito da realidade eterna. Cada vez mais e melhor, a cada ano, mês, dia, hora, minuto e segundo, somos maiores e melhores. Tal a tendência do tempo e a realidade da história. A Vida se processa eternamente, ultrapassando as fronteiras temporais e os limites do cotidiano, superando as definições dos fatos e as determinações dos acontecimentos, transcendendo inclusive as possibilidades do aqui e agora, para mergulhar no universo infinito de eternas realizações junto ao ambiente humano e divino da eternidade. Não paramos na morte. A História nos parece eterna, porque seus fenômenos estão conectados com a vida das consciências cujos princípios são permanentes e cujos valores são absolutos. Sim, somos eternos. A História humana continua nos espaços infinitos do tempo eterno. Porque somos criaturas de Deus cujo domínio é exercido sobre nós e todos. Portanto, a história dos homens e das mulheres se transforma para além do tempo, e mergulha suas metamorfoses no oceano da eternidade. Somos metamorfoses em pessoa.
Historicidade: um processo em mudança para melhor
Observando a história das civilizações humanas desde seus primórdios até os tempos de hoje conclui-se facilmente que seu processo temporal sempre foi positivo, seus momentos decorreram com o otimismo de uma vida em constante mutabilidade para melhor, seus instantes se identificaram com as mudanças construidas em função da saúde e bem-estar dos homens e das mulheres que os constituiram, as situações vividas corresponderam a uma mentalidade de prosperidade entre os povos e a uma cultura de sucesso entre as nações, as circunstâncias experimentadas foram geradas com finalidades de progresso material e espiritual, de evolução física e mental, de crescimento cada vez mais e melhor concordando com a unidade entre meio-ambiente e desenvolvimento sustentável, onde a convergência de políticas públicas e sociais, de realismo financeiro e cultural, inovação científica e tecnológica, novas e diferentes produções artísticas e filosóficas, cooperaram para uma consciência maior e melhor do conjunto da humanidade com respeito aos seus direitos humanos e conquistas sociais e ambientais, determinando seu grau de liberdade geradora de outras tendências e possibilidades para todos e cada um e definindo gradativamente sua postura relativa à construção da paz e da fraternidade universal e solidariedade entre todos os humanos e terrestres. Assim produziu-se até aqui e agora uma humanidade mais justa e amiga, ordeira e pacífica, fraterna e solidária, mais humana e digna, com mais qualidade de vida, com mais riqueza de conteúdo e com mais excelência de virtudes. Os humanos ficaram mais pertos de Deus. Colaboraram efetivamente para isso as diferenças regionais e ambientais, as ideologias de grupos e indivíduos, os pontos de vista das pessoas e a visão concreta de uma realidade sempre em metamorfose ambulante. Construiram-se pois deste modo as sociedades de hoje.
Otimistas, graças a Deus
As diferenças fazem a história. E o otimismo produz essas diferenças, responsáveis pelo dinamismo da vida e o movimento das sociedades, o progresso dos povos e o desenvolvimento das nações, a evolução das consciências e o crescimento das alternativas de liberdade, fonte da verdadeira felicidade. Somos otimistas em relação ao cotidiano da nossa existência de cada dia e de toda noite. Tal otimismo é o motor da realidade que nos cerca, que nos empurra para a frente e para o alto, fazendo as mudanças do tempo e as metamorfoses da história. Assim se processa a vida cotidiana. Deste modo, se alimentam os negócios, se fazem os intercâmbios culturais, interagem as pessoas entre si, compartilhando uns com os outros os seus conteúdos ricos de conhecimentos e valores, trocando moedas e realizando atividades mútuas e experimentando ações recíprocas e atitudes polivalentes. Crescem então a consciência da história e a busca por liberdade. Tal o caminho da felicidade real. Juntos, os humanos e os terrestres, constroem suas vidas a partir do otimismo, a alavanca do progresso, da boa saúde e do bem-estar, e do bem-comum das comunidades locais, regionais e globais que constituem a humanidade. Otimistas, geram boas condições de vida e trabalho para todos e cada um. Positivos, produzem diferentes e novas opções de emprego, de atividades emancipadoras, de práticas emergentes, que fazem o sucesso das pessoas, grupos e indivíduos interessados nos créditos, favores e benefícios que a prosperidade pode alcançar. Desta maneira, faz-se a vida real, as sociedades pluralistas, as organizações sociais e institucionais, os beneplácitos políticos, as riquezas econômicas e os lucros financeiros, a multifuncionalidade das culturas em ascensão e das mentalidades que fazem da vida a ponte para a qualidade e a excelência de uma existência rica em conteúdo. Caminhamos assim. Tal a nossa felicidade temporal que se estende por toda a história do além, da transcendência e da eternidade. O Otimismo continua na imortalidade.
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Parangolé
Parangolé
A Arte da Interatividade
De acordo com o artista Hélio Oiticica, o Parangolé – uma forma de arte ou uma manifestação cultural que extrapola a própria obra de arte – deve sempre unir a arte com a vida, tornando a obra que cria maior e melhor do que si mesma, onde para isso o autor deve interagir com o receptor , transformando-o em co-criador, produtor de conteúdo, e não apenas este assumir uma atitude passiva diante de quem gera a mensagem. Em outras palavras, emissor e receptor da mensagem da obra de arte interagem entre si, compartilham das mesmas idéias e conhecimentos, cabendo ao ouvinte ou objeto da informação completar, e não só contemplar, a obra, acrescentando-lhe outras, novas e diferentes representações ou alternativas e possibilidades de enriquecimento e aperfeiçoamento do trabalho em referência. Assim, o autor cria a arte e o receptor completa-a, aperfeiçoa-a, enriquece-a, acrescentando-lhe ou somando a ela diversas matérias como variados conteúdos de conhecimento.
Por exemplo, se Aleijadinho, artista mineiro, ao criar a imagem de Moisés de modo escultural, visse no observador dessa escultura que ele poderia enriquecê-la ou aperfeiçoá-la transformando-a em uma música, ou um texto de redação, ou em uma galeria de fotos, ou ainda em um vídeo ou filme de cinema, ele na verdade estaria refletindo o Parangolé.
Assim se traduz o Parangolé.
Nele, a obra em si está incompleta, precisando do receptor de sua mensagem para completá-la, inserindo-lhe novas mídias ou outras maneiras de enriquecer e aperfeiçoar a mensagem do artista, isso de modo musical, teatral, cinematográfico, audiovisual, monografia do estudante ou fotográfico.
Isso em síntese é o Parangolé, que une a arte com a vida, faz interagir o emissor e o receptor de sua mensagem, contribuindo este com diferentes qualidades de conteúdo conforme se viu acima.
No campo da educação à distância ou do ensino presencial e virtual, online e offline, a mensagem do Parangolé é a de que professores e alunos interajam na construção dos conhecimentos propostos e oferecidos, os quais deixam de ser apenas transmissores ou monologais para se fazerem agora comunicadores, dialógicos, interativos e compartilhados, passando o estudante a ajudar o mestre acrescentando-lhe novas mensagens e conhecimentos, tornando o ensino mais completo, que soma forças, mais rico, mais perfeito, e de excelente qualidade.
Observa-se ainda que o ensino online ou virtual vê-se então enriquecido com a possibilidade de participação dos alunos e alunas co-criando e co-construindo com os docentes o conteúdo necessário para que os conhecimentos fiquem completos.
No Parangolé como no ensino virtual e online, a participação é importante, é interessante a interatividade e o compartilhamento, e sobretudo neles sobressaem a co-autoria dos estudantes que ora aperfeiçoam os conhecimentos dados pelo professor.
Para isso, usam-se ferramentas de fotos e vídeos, música e cinema, textos e audiovisuais.
O Parangolé na verdade é um processo em construção.
A Arte da Interatividade
De acordo com o artista Hélio Oiticica, o Parangolé – uma forma de arte ou uma manifestação cultural que extrapola a própria obra de arte – deve sempre unir a arte com a vida, tornando a obra que cria maior e melhor do que si mesma, onde para isso o autor deve interagir com o receptor , transformando-o em co-criador, produtor de conteúdo, e não apenas este assumir uma atitude passiva diante de quem gera a mensagem. Em outras palavras, emissor e receptor da mensagem da obra de arte interagem entre si, compartilham das mesmas idéias e conhecimentos, cabendo ao ouvinte ou objeto da informação completar, e não só contemplar, a obra, acrescentando-lhe outras, novas e diferentes representações ou alternativas e possibilidades de enriquecimento e aperfeiçoamento do trabalho em referência. Assim, o autor cria a arte e o receptor completa-a, aperfeiçoa-a, enriquece-a, acrescentando-lhe ou somando a ela diversas matérias como variados conteúdos de conhecimento.
Por exemplo, se Aleijadinho, artista mineiro, ao criar a imagem de Moisés de modo escultural, visse no observador dessa escultura que ele poderia enriquecê-la ou aperfeiçoá-la transformando-a em uma música, ou um texto de redação, ou em uma galeria de fotos, ou ainda em um vídeo ou filme de cinema, ele na verdade estaria refletindo o Parangolé.
Assim se traduz o Parangolé.
Nele, a obra em si está incompleta, precisando do receptor de sua mensagem para completá-la, inserindo-lhe novas mídias ou outras maneiras de enriquecer e aperfeiçoar a mensagem do artista, isso de modo musical, teatral, cinematográfico, audiovisual, monografia do estudante ou fotográfico.
Isso em síntese é o Parangolé, que une a arte com a vida, faz interagir o emissor e o receptor de sua mensagem, contribuindo este com diferentes qualidades de conteúdo conforme se viu acima.
No campo da educação à distância ou do ensino presencial e virtual, online e offline, a mensagem do Parangolé é a de que professores e alunos interajam na construção dos conhecimentos propostos e oferecidos, os quais deixam de ser apenas transmissores ou monologais para se fazerem agora comunicadores, dialógicos, interativos e compartilhados, passando o estudante a ajudar o mestre acrescentando-lhe novas mensagens e conhecimentos, tornando o ensino mais completo, que soma forças, mais rico, mais perfeito, e de excelente qualidade.
Observa-se ainda que o ensino online ou virtual vê-se então enriquecido com a possibilidade de participação dos alunos e alunas co-criando e co-construindo com os docentes o conteúdo necessário para que os conhecimentos fiquem completos.
No Parangolé como no ensino virtual e online, a participação é importante, é interessante a interatividade e o compartilhamento, e sobretudo neles sobressaem a co-autoria dos estudantes que ora aperfeiçoam os conhecimentos dados pelo professor.
Para isso, usam-se ferramentas de fotos e vídeos, música e cinema, textos e audiovisuais.
O Parangolé na verdade é um processo em construção.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Ética
Liberdade
A Ética das possibilidades
Em diversas situações da realidade da vida cotidiana, somos levados intuitivamente de forma natural a buscar novas alternativas de valor, novas opções de trabalho e lazer, escolher o caminho mais viável, tendo em vista responder às perguntas mais urgentes, solucionar os problemas mais difíceis, importantes e intrigantes, decidir sentenças quase impossíveis de serem aceitas, entendidas e respeitadas. Estamos diante de um comportamento chamado pelos especialistas de ètica das possibilidades, ou seja, atitudes decisivas que devem ser tomadas em determinadas circunstâncias e exigem e requerem alta taxa de criatividade racional e imaginativa capaz de fazer escolhas corretas e encontrar soluções alternativas para definidos problemas da realidade do dia-a-dia da nossa vida.
Tal comportamento situacional se vê diante de um fluxo de possibilidades a partir de que as decisões podem ser tomadas, optando com intuição, racionalidade, imaginação e criatividade pela melhor alternativa então desejada, a melhor opção ali encontrada, a melhor escolha desde agora a mais importante e interessante.
Ética e razão neste momento trabalham juntas e unidas tentando encontrar a boa opção, a melhor resposta, a mais qualificada solução.
Essa realidade circunstancial revela-nos um dos pontos centrais que caracterizam a consciência humana perante os imperativos da natureza, diante das interrogações da realidade cotidiana, que, em certas ocasições, exige e deseja da criatura humana uma atitude respeitosa e responsável, racional e consciente, natural e criativa cujos resultados são a melhoria das relações humanas, o progresso dos trabalhos realizados, a evolução das condições e situações ambientais em que todos e cada um se acham de bem com a vida, em boas condições de saúde e trabalho, e em ótimos momentos de prazer, alegria e bem-estar.
A Ética das possibilidades nos caracteriza fundamentalmente como seres humanos, naturais e culturais, sociais, políticos e econômicos.
Somos na verdade um complexo de possibilidades.
Somos um fluxo de alternativas.
Somos um rico manancial de boas opções e ótimas escolhas.
Isso nos faz livres e responsáveis por nossos atos.
Tal é a nossa liberdade.
De fato, ética das possibilidades é um outro nome de liberdade.
Liberdade responsável.
Liberdade com respeito.
Liberdade com juizo e bom-senso.
A Ética das possibilidades
Em diversas situações da realidade da vida cotidiana, somos levados intuitivamente de forma natural a buscar novas alternativas de valor, novas opções de trabalho e lazer, escolher o caminho mais viável, tendo em vista responder às perguntas mais urgentes, solucionar os problemas mais difíceis, importantes e intrigantes, decidir sentenças quase impossíveis de serem aceitas, entendidas e respeitadas. Estamos diante de um comportamento chamado pelos especialistas de ètica das possibilidades, ou seja, atitudes decisivas que devem ser tomadas em determinadas circunstâncias e exigem e requerem alta taxa de criatividade racional e imaginativa capaz de fazer escolhas corretas e encontrar soluções alternativas para definidos problemas da realidade do dia-a-dia da nossa vida.
Tal comportamento situacional se vê diante de um fluxo de possibilidades a partir de que as decisões podem ser tomadas, optando com intuição, racionalidade, imaginação e criatividade pela melhor alternativa então desejada, a melhor opção ali encontrada, a melhor escolha desde agora a mais importante e interessante.
Ética e razão neste momento trabalham juntas e unidas tentando encontrar a boa opção, a melhor resposta, a mais qualificada solução.
Essa realidade circunstancial revela-nos um dos pontos centrais que caracterizam a consciência humana perante os imperativos da natureza, diante das interrogações da realidade cotidiana, que, em certas ocasições, exige e deseja da criatura humana uma atitude respeitosa e responsável, racional e consciente, natural e criativa cujos resultados são a melhoria das relações humanas, o progresso dos trabalhos realizados, a evolução das condições e situações ambientais em que todos e cada um se acham de bem com a vida, em boas condições de saúde e trabalho, e em ótimos momentos de prazer, alegria e bem-estar.
A Ética das possibilidades nos caracteriza fundamentalmente como seres humanos, naturais e culturais, sociais, políticos e econômicos.
Somos na verdade um complexo de possibilidades.
Somos um fluxo de alternativas.
Somos um rico manancial de boas opções e ótimas escolhas.
Isso nos faz livres e responsáveis por nossos atos.
Tal é a nossa liberdade.
De fato, ética das possibilidades é um outro nome de liberdade.
Liberdade responsável.
Liberdade com respeito.
Liberdade com juizo e bom-senso.
Assinar:
Postagens (Atom)
